Carta aberta para Airton Sampaio de Araújo


Meu dileto, Airton Sampaio de Araújo,

Bom dia!

Tomei a iniciativa de escrever esta carta(mesmo usando todos os clichês das epístolas) para te desejar saúde e paz diante do quadro de doença que você foi acometido nos últimos dias e que eu acabei sabendo por outros amigos comuns.

Sem muitas delongas, espero que quando você tiver a oportunidade de ler esta carta já esteja gozando de saúde plena para o bem teu, da tua família querida e que possa vencer o diabetes e suas extensões plenamente. Lembre-se, também, corre no meu sangue esta maldição que me tirou alguns prazeres e que vivo em alerta constante contra as traições desta patologia covarde.

Mas, dileto, Aírton, o que me moveu, também, na escritura deste texto cheio de defeitos de linguagem pelo uso dos clichês e repetições de toda ordem foi a necessidade de reconhecer que do ponto do vista ideológico nos afastamos e não quero adentrar nas tuas razões e nem nas minhas para isso. Uma vez te disse que o PT e seus governos, Cuba e os irmãos Castro não nos uniam, mas que a educação e a literatura, sim e continuo com esta convicção apesar das nossas opiniões divergentes na política.

Reconheço que você, meu dileto, Airton, continua sendo o intelectual mais profundo da minha geração, tanto no fazer educacional como no fazer literário e por isso tem o meu respeito, apesar das nossas diferenças no plano ideológico o que é muito pouco para rupturas eternas entre amigos. Não te pedirei perdão pelos dissabores a toque de uma palavra ou frase aqui e ali mais áspera entre nós nos últimos tempos, porque não se deve colocar na mesa o pedido de perdão sobre convicções. Mas fica o meu respeito intelectual por você naquilo que nos tem unido ao longo de décadas.

Finalizo,  reafirmando o meu desejo pessoal como amigo de querer que você se levante deste leito de hospital com as melhores condições físicas e intelectuais para vencermos, quem sabe, a maldição do diabetes e suas extensões que volta e meia nos surpreende.

Abraços,

Emerson Araújo

Tuntum, 12 de Abril/2016.

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