Neruda, Pablo


Emerson Araújo

Uma pétala de rosa branca pra te entregar
Esta é a minha bandeira subversiva na tarde
Seja ela de verão, outono ou veraneio
Sem cordilheira, apenas a que imaginamos
Sob os lençóis a tremular na terra seca
Tarde seca sem água, com sóis.

Sou um cantor que pede uma utopia ainda
E nos corredores, os pardais mortos denunciam
O homem maltratado nos seus cânticos entoados
Umidificam a sombra dos quintais no vinho doce
No grito da América, no grifo do poema
A parlenda oficial de todas as Américas.

Sou sim o poeta além da cova, além da fome do ditador
Que vive a sua sétima paixão entre os desvalidos
Renovados a cada aurora entre um feixe e outro
Uma foice no martelo do próximo caminho
Sou sim o poeta além da tua sepultura
Oh ditador nefasto, oh tarde seca de setembro!

Um comentário:

Anônimo disse...

Marcante poema, poeta. Sextilhas elegíacas com a força da verve calorosa dos trópicos piauienses. Gostei bastante da homenagem, da envergadura das estrofes e no fundo do carinho interlocutório com o poeta chinelo. Grandeza.