Marighella, Carlos ou o panfleto da manhã com chuva





A chuva serôdia mescla com a lágrima do rosto
A terra está sob a bênção, o milho no campo
Ainda espera a melhor safra
Tantas espigas no vento norte
O corpo longo, leite de cabra.

A chuva sem adoração a ela
Sem música de címbalos
Apenas a utopia
Que se fez fronte alevantada
Na terra de pão asmo e mel
De sopa quente,  feijão na mesa
De sonho com destino coletivo.

O homem de branco e a chuva
A nódoa na rua velada
E o inimigo na contumaz covardia
Espreita a aurora de chumbo
O relinchar do cavalo de plantão
Que não quer prosseguir com o legado das esporas
Na pele macia
No açúcar, no café fresco.


Mas a chuva motiva o dia próximo
Sem flores no caixão, só o  emblema do feixe, do martelo
A nossa foice da manhã carmesim
A tremular na memória vibrante
Da terra prometida no sal
Sol em raios de aurora.


Emerson Araújo


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