A direita corrupta

A queda do último “ético” do DEM
Por Altamiro Borges

Em conversa com o blogueiro Rodrigo Vianna, o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) se mostrou muito otimista com a possibilidade da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as ligações do mafioso Carlinhos Cachoeira com o senador demo Demóstenes Torres e outros influentes políticos de Goiás – inclusive o governador tucano Marconi Perillo.

Ele informou que já recolheu 136 assinaturas de apoio e que adesões devem chegar a 200 nesta semana. “A CPI será um ponto de apoio para a investigação da Polícia Federal; eu sei o que é investigar gente poderosa; sem apoio político às vezes o delegado perde as condições de seguir investigando”, afirmou o deputado, que ganhou fama por sua atuação como delegado da PF.

Pressão e jogo sujo

Apesar do otimismo, Protógenes sabe de que haverá muita pressão e jogo sujo contra a criação da CPI. “Muita gente se banhou naquela cachoeira, mais gente usou aquela cozinha”, ironiza, lembrando a cozinha de R$ 45 mil que Demóstenes Torres ganhou de presente do amigo mafioso. O jogo sujo contra o deputado também já começou, inclusive com insinuações venenosas na Veja.

“A turma dele mandou me avisar que eu teria encontrado Cachoeira em eventos de que participei em Goiás; nunca me reuni com ele, não me reúno com bandido”, afirma Protógenes. Caso vença os obstáculos e consiga instalar a CPI Cachoeira/Demóstenes, o deputado dará inestimável ajuda para desmascarar os falsos moralistas do DEM. A CPI acelerará a ida dos demos para o inferno.

O partido mais corrupto do Brasil

A queda do último “paladino da ética” do DEM poderá ser fatal. Apesar de toda a retórica, a legenda da direita nativa é cada vez mais associada ao desvio de recursos públicos. No ranking do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, o partido é apontado como o mais corrupto do Brasil. Só entre 2000 e 2007, 69 políticos do DEM foram cassados por malversação dos cofres públicos.

Em 2009, a principal referência dos demos, o ex-governador José Roberto Arruda – cotado para ser o “vice-careca” de José Serra e bajulado pela revista Veja – foi preso no escândalo do mensalão do DEM do Distrito Federal. Em 2011, um governador, uma senadora, 17 deputados e centenas de prefeitos e vereadores abandonaram a enlameada legenda e migraram para o PSD de Gilberto Kassab.

Com a imagem desgastada e depois das derrotas de vários demos em 2010 e da recente debandada, Demóstenes Torres sobrou como o último “ético” do DEM. Ele era apresentado como incorruptível e chegou a ganhar o apelido de “senador ficha limpa”. Não poupava ninguém com seus discursos moralistas. A CPI pode acabar com essa imagem e enterrar de vez os demos.

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