A rosa branca, sem espinheiros



Para Mônica Almeida

Emerson Araújo


A rosa branca que trago

Envolta em papel crepom

Põe-se na mão da mulher

Névoa inominável, manhã.


A rosa branca, celebração

Cálice de vinho seco

Papel e fumaça, cabeça de artista

Odor que chega, janela aberta

Outro arabesco.


Não há diálogo lógico, imagem acariciada

Apenas dedos, sopros tirando canção

Pétalas, taça de vidro

E soluços sobre o navio, carne e osso

Alçados da sombra, nosso poço.


A rosa branca, seus jasmins

A rosa branca caída

A espera do beijo, fogo

Âncora de barco sem vela

Lápide de pedra preciosa

A paz em escudo posto.


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