À sombra de Palocci, Planalto lança hoje o mais ambicioso projeto do governo Dilma


O mais ambicioso projeto do governo Dilma Rousseff nasce oficialmente nesta quinta-feira 2 ofuscado pela maior crise enfrentada pelo Planalto desde a posse da presidenta.

Principal promessa de campanha da petista, o Plano Brasil sem Miséria, que pretende retirar da pobreza extrema 16 milhões de pessoas até 2014 é anunciado no momento em que as atenções se voltam ao enriquecimento, nos últimos quatro anos, do principal ministro do governo.

A meta da presidenta, com o lançamento do programa, é levar serviços públicos, como água encanada, coleta de esgoto e energia elétrica, e capacitação a famílias cuja renda familiar per capta não chega a 70 reais por mês – enquanto o chefe da Casa Civil Antonio Palocci ainda não explicou como conseguiu, em um ano, faturar 20 milhões de reais em um único ano (eleitoral) com sua empresa de consultoria, a Projeto. Numa conta rápida, o faturamento é superior ao rendimento mensal de 285.714 pessoas que vivem na miséria no País.

Enquanto Palocci submerge em silêncio há quase três semanas, a ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) é quem se encarrega de fazer o anúncio do lançamento do programa, que beneficiará cerca de 8,5% da população – a maioria negros e pardos, moradores das regiões Nordeste (60%) e que vivem no campo (46,7%). Segundo o governo federal, Maranhão, o Piauí e Alagoas são os estados com os maiores percentuais de pessoas em situação de extrema pobreza.

O lançamento do programa acontece num momento em que Dilma Rousseff intensifica a chamada agenda positiva para tentar desanuviar os ares que rondam o Planalto desde que foi anunciada, em reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a compra de dois apartamentos pela empresa de Palocci, num valor total de 7,5 milhões – valor 20 vezes superior aos rendimentos declarados quando era candidato a deputado federal, em 2006.

Na véspera do lançamento do plano de erradicação da miséria, foram anunciadas a autorização do Ibama para o início das obras de Belo Monte, maior projeto do governo para a geração de energia elétrica, e a concessão, para a iniciativa privada, da gestão de três dos principais aeroportos do País. Ainda esta semana a presidenta pretende inaugurar uma nova plataforma de exploração de petróleo no Rio de Janeiro.

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