O futuro do PT e suas tendências

O PT é um partido de tendências e uma análise do futuro do PT não pode deixar de levar em conta sua composição interna.

É certo que o PT possui lideranças de grande expressão, mas só conhecendo o PT por dentro, suas disputas a cada PED, a cada Congresso e a cada prévia podemos ter clareza sobre o que de fato pode se esperar. Uma candidatura que venha de um campo que não seja hegemônico no PT ou que pelo menos não tenha diálogo com ele fica claramente excluída da possibilidade de se candidatar à Presidência da República. Caso contrário, traria muitas complicações internas e serviria para mudar a composição de forças do partido. Nenhuma corrente que dirige um partido permitiria a presença de tal risco.

Podemos dizer com certeza que um dos grandes fatores que impossibilitou sequer que se cogitasse uma eventual candidatura de Tarso à Presidência foi o fato dele ter rompido com o Campo Majoritário em 2005 e ter ajudado a formar a Mensagem ao Partido, fazendo grandes críticas à condução do partido pela antiga Articulação Unidade na Luta (que dirigia o Campo Majoritário), atual Construindo um Novo Brasil - CNB.

Podemos dizer também que a candidatura Dilma foi absolutamente aceita previamente pelas diversas correntes do PT pelo fato de Dilma nunca ter se posicionado junto à corrente nenhuma. Tanto é que a Mensagem ao Partido declarou apoio à candidatura Dilma ainda antes da própria CNB. Dilma era antes de tudo a candidata de Lula, mas era também a candidata da unidade petista.

Portanto, podemos dizer que ou muda-se a composição de forças do PT ou o próximo quadro petista com chances de ser candidato à Presidente ou vem da CNB ou será algum independente com trânsito e aceitação pelas demais correntes do partido. No limite, mas muito pouco provável, pode ser um quadro de expressão pública inquestionável que mesmo não sendo da CNB, transpareça confiança.

Pode-se dizer com certeza ainda que não basta ser qualquer quadro da CNB. Tem que um sem grandes rejeições pelas demais correntes partidárias, em especial ao meu ver, que não tenha resistências junto à Mensagem ao Partido, que hoje é publica e internamente a segunda força do PT. Palocci, por exemplo, faria o PT entrar em guerra.

De todos os nomes que hoje se apresentam, Jaques Wagner, Alexandre Padilha (ainda muito novo) são os nomes com algum potencial. Haddad, Tarso e José Eduardo Cardozo têm contra si o fato de serem dirigentes da Mensagem ao Partido, com claro posicionamento interno. Lindberg não detém a confiança do PT Nacional, sendo que sua ascensão se deu muito mais por composições internas pragmáticas e muitas vezes oportunistas do que sob uma construção coletiva e dialogada com bom trânsito, ou seja, de unidade consensual.

Patrus seria um grande nome para susceder Lula. Cumpriria os requisitos de ser da CNB e ter bom trânsito com as demais correntes, tendo clara simpatia da Mensagem ao Partido e ainda seria apresentado como o grande responsável pelo sucesso do Bolsa Família. A não ser que recupere sua força em Minas, dificilmente estará novamente em condições de alcançar a presidência. No mesmo sentido Mercadante, que outrora foi o Senador mais votado da história do Brasil, mas que agora tem que correr muito chão para ter a chance de concorrer à presidência um dia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Educadores de quatro grandes escolas retornam à greve

A posição do governo do Estado em não sinalizar com reajuste salarial aos trabalhadores da educação, que alimentavam a expectativa de uma proposta para o desfecho do movimento grevista, provocou descontentamento e revolta. Em reação, muitos educadores que voltaram para a sala de aula retornaram à greve.

Além do retorno de educadores de vários municípios do interior, retornaram ao movimento trabalhadores de grandes escolas de São Luís: Almirante Tamandaré, BCA, Cintra e Liceu Maranhense.

É grande a revolta entre os profissionais de educação diante da postura do governo. O acampamento recebeu um maior número de adesões, principalmente de professores que já estavam afastados da greve, acuados em salas de aula diante das ameaças de gestores, mas com a esperança de que o governo se dispusesse a conceder pelo menos um reajuste salarial mínimo à categoria, que está com os salários defasados há dois anos, porque não recebem nem mesmo o repasse obrigatório do Fundeb.

Em seus discursos, os trabalhadores não compreendem porque a governadora Roseana Sarney joga a greve legítima da categoria na ilegalidade, mas não cumpre a Lei quando deixa de repassar ao salário do professor o percentual de reajuste do Fundeb, que é obrigatório, além de outros direitos que não são cumpridos como a Lei do Piso, em vigor desde 2008, as licenças prêmios, as titulações, progressões e promoções, tudo já garantido aos trabalhadores em Lei.

O SINPROESEMMA aguarda uma proposta formalizada do governo do Estado para submeter às assembléias regionais dos trabalhadores. Segundo o diretor de Comunicação do sindicato, Júlio Guterres, a secretário de Estado de Articulação Institucional, Rodrigo Comerciário, informou que até esta quarta-feira (04) a proposta do governo seria entregue ao sindicato.

Enquanto isso, os educadores continuam acampados na Seduc, com grande disposição para permanecer no local até que haja o entendimento do governo de que os trabalhadores precisam ter esse reajuste mínimo para retornarem às salas de aulas satisfeitos e levando boa qualidade de ensino aos seus alunos.