A paciência japonesa


Foto: banco de dados Google

(*) Emerson Araújo


Tenho acompanhado de maneira mais incisiva, nas últimas horas, o desastre que se abateu sobre o Japão. E sem arrolar nenhuma doutrina apocalíptica e nem procurar reabilitar revanches em cima de atitudes do passado equivocadas, também, da nação japonesa, tenho me surpreendido com a força das imagens que se alojam diante de mim.

Há uma catástrofe no Japão de dimensões imagináveis isso é uma certeza. E é do filtro dela, na sua dimensão mais triste, que devemos nos colocar porque há perdas humanas inumeráveis contabilizadas na premência da tragédia e outras que deverão ser somadas ao longo dos dias.

O trágico que se abate sobre o Japão neste momento, ainda, nos serve de aprendizado doloroso ou não naquilo que corre nas entrelinhas e que os governantes tentam ludibriar a opinião pública, mas não conseguem pela força e velocidade dos acontecimentos. O perigo mais iminente que está instalado no centro da crise é o perigo de irradiação nuclear por conta do uso comercial da energia atômica. E, agora, não me venha, com o discurso simplista do avanço tecnológico, como regra geral, que sempre aparece nestes instantes. Defendemos a tecnologia sim como ferramenta de conforto e tranqüilidade humana isso é ponto pacífico, porém discordamos do avanço tecnológico que gera sofrimentos grandiosos, desconfortos sem escalas e mortes infinitas. E é isso que a veracidade da catástrofe japonesa nos impõe, hoje.

O perigo que os reatores japoneses traduzem é mais um fato contestável para exemplificar para onde caminha a humanidade hodierna, ou seja, para a sua destruição em condições fantasmagóricas adescritivas, não restam dúvidas. O tom deste momento é sombrio mesmo, apesar dos relatórios suspeitos e amenizadores dos organismos internacionais que tentam colocar um ambiente positivamente a favor, mas que não se preocupam com as perdas humanas de pessoas simples dos países em seus conteúdos. É preciso se dar razão não aos relatórios, mas a força da catástrofe posta para um povo habituado a ela e isso é o que deve contar como regra, exercício cotidiano de japonesas e japoneses que perambulam pelas ruas de suas cidades desérticas. É nessa prática humana entre o choro e a perseverança da nação japonesa que devemos fundamentar também as nossas tragédias por aqui.

(*) Emerson Araújo é professor e mantenedor do blog legal

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