Rimbaud em preto e branco




Emerson Araújo


Terrivelmente só
Este Rimbaud só na tarde
Retrato em menino
Preto e branco
Entre fumaça e vespa
Parede e saudade.


Rimbaud e suas vespas
Chuva sob o céu de chumbo
Mesa e nuvem sob saias
Pulsar latente de odor
Folha seca e um néctar de abelha
Entre os cachos de cabelos.


O retrato posto em botões
Fumo de madeira do oriente
Laço que mede
Bordado de cetim
E sobre os dedos que tragam
Rimbaud desdenha
O óbvio da forma.

Tuntum (MA), Fevereiro/2011.


Um comentário:

f.wilson disse...

Rimbaud, esse poeta francês que prematuramente inflamou a poesia, tornando-a clássica, para depois acompanhar uma misteriosa sombra que pôs fim a sua existência. Nunca entendi bem o que a arte poética faz num adolescente; tampouco um pacto de morte em defesa de uma crença.
Gostei da descrição poética do quadro.
Abraço, poeta Emerson.