Tributo aos guerreiros



(*) Emerson Araújo

Começo esta segunda-feira reconhecendo que ela é diferente de todas nos últimos anos. E as motivações para isso são diversas. Mas quero focar a minha escritura apenas na mais importante, ou seja, o título de campeão nacional do Fluminense F.C. obtido ontem no Estádio João Havelange.

O Fluminense se tornou uma paixão pessoal quando eu era criança na cidade de Oeiras no Estado do Piauí no final da década de 60. Ali a diversão principal da garotada era sintonizar em rádios de válvulas os narradores esportivos empolgados com os dribles e artimanhas dos boleiros de então. Quem não se lembra do vozeirão de um Valdir Amaral ou da delicadeza de Jorge Cury a desenhar na nossa imaginação a efusão do gol. Éramos crianças e não sabíamos que o tempo urgiria com a velocidade de um raio em início de inverno.

Mas esta segunda-feira tem sido diferente e não há o que contestar. O Fluminense é o legítimo campeão brasileiro de 2010 e não poderia ser de outra maneira. O time das três cores se superou em todas as rodadas do último campeonato brasileiro, até mesmo nas derrotas pela displicência de campeão e pelas vitórias que rodeiam os verdadeiros e únicos guerreiros do futebol brasileiro. O fluzão, o meu fluzão, hoje e sempre é um misto de emoções que não consigo traduzir com a mais pura perfeição aqui, devo reconhecer.

Emoções a parte, dia após a vitória, também, abro espaço para o tributo a quem merece unicamente e que está além da crônica que avança lentamente quase sem ânimo porque o universo da palavra começa a travar diante do feito tricolor nos gramados do Brasil na última temporada. Tributo a Muricy Ramalho pela competência de treinar guerreiros em tempo de gafanhotos e profecias que não se cumpriram. Tributo aos guerreiros que rolaram a pelota na direção sofrida do gol desde a primeira peleja até a agonia gostosa de ontem. Tributo a todos nós tricolores do Brasil que em silêncio ouvimos o desdém dos inimigos e que, nesta segunda-feira diferente, sorrimos pelas praças e rincões desta pátria amada.

Quanto a mim, finalmente, foi entre a efusão e o raio que me fiz tricolor carioca para o resto da vida e a ponto de reafirmar, agora, que o fluzão é o meu quinto sentimento.

(*) Emerson Araújo é tricolor de coração.

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