Poesia do domingo


Foto: Arquivo Google

ENTRE IR E FICAR

Traduzido por Anderson Braga Horta



Octavio Paz


Entre ir e ficar hesita o dia,

de sua transparência enamorado.



A tarde circular é já baía:

em seu quieto vaivém se mexe o mundo.



Tudo é visível e tudo elusivo,

tudo está perto e tudo é intocável.



O lápis, os papéis, o livro, o vaso

abrigam-se na sombra de seus nomes.



Pulsar do tempo, latejar-me à fonte,

teimosa, a mesma sílaba de sangue.



A luz tece no muro indiferente

um espectral teatro de reflexos.



Bem no centro de um olho me descubro:

não me fita, me fito em seu olhar.



O instante se dissipa. Sem mover-me,

eu me quedo e me vou: sou uma pausa.

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