As boas notícias chegaram

Emerson Araújo


Para Mônica Almeida


Nem todo silêncio traduz covardia ou falta de querer. É apenas uma posição pacífica diante de tanta impessoalidade, incompreensão e entrega deliberada de um sentimento misto do agradável e do conflito emergente.

Foi assim que se tentou construir uma história em pedaços, sem hipocrisias por parte do emitente, pois predominou o bom gosto e o sabor no contato dos lábios sobre a pele branca de algodão. Soube-se, também, das impossibilidades, dos avanços que foram tecidos em tardes e sussurros, e, até mesmo, no peso moral que manipulou as decisões que não foram tomadas pelo decodificador. Só por isso e nada mais os longos intervalos prevaleceram sob a égide do sofrimento e da solidão, envolvidos em saudades e dores inquietantes.

Aqui não houve mais premência nem para a primeira e nem para a última lágrima, pois as boas notícias chegaram de novo nesta quarta-feira de ausência através de duas frases lapidadas: “estou com muitas saudades de ti” e “você está fazendo falta”. E chegaram trazendo convicção e uma ponta de esperança para um próximo encontro, uma reabilitação sugerida em tempos de sedição. Pôde-se pensar, ainda, que a essência das duas frases escritas entre aspas foram lampejos, talvez para uma crença dúbia em tempos perdidos nas entrelinhas ou nos umbrais que distanciaram temporariamente duas cidades, dois paraísos de rumorejos ensandecidos.

Confirmadas as ponderações latentes, criou-se, ainda mais, o desejo de envolver cachos de ouro em lençóis de cetim para gotejar néctar de alecrim nos labirintos de um corpo em convulsão. Por isso, o emitente espera um desfecho rápido na providência das próximas horas, dos próximos dias que latejam na modulação do querer ponderável.

Agora há um legado da espera nas boas notícias que vieram sob todas as bênçãos no prenúncio de um novo verão.

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