Carta aberta ao contista Manuel de Moura Filho

Caro Leonam, (permita-me a intimidade):


Temos travado, aqui pela net, volta e meia, um debate de amor e ódio a Cuba. Eu, no meu analfabetismo, destilando amor a este povo que teve vergonha na cara de não querer ser mais privada da Terra de "Tio Sam" e você respingando ódio ao regime cubano fruto de uma nova configuração ideológica de intelectuais ocidentais que perderam o tino humanista de um passado não muito longe. Devo respeitar este teu ódio a Cuba, ao seu povo, ao seu regime como é da minha tradição democrática de compreender os devios idológicos dos amigos.

Você, meu caro Leonam, sabe muito bem de que somos de uma geração que aprendeu por força de uma militância ora concreta, ora nem tanto, ver Cuba como exemplo de soberania e respostas concretas a algumas bandeiras sociais que nos foram sempre cara e que de maneira utópica ou não passaram a ser alvo das nossas reivindicações (se é que elas sempre existiram e que tenho desconfiado muito nos últimos anos).

Meu caro, amigo, acredito que você e tantos não perderam o poder da visão e como leitores ávidos e antenados não podem desconhecer alguns avanços no campo da educação, da saúde que os cubanos desfrutam hoje e que muitas nações não chegam nem perto disso. Penso ainda que os organismos internacionais como UNESCO e OMS da ONU não precisam mentir para atestarem o que estou dizendo. Talvez estes avanços a que me refiro já bastam para a maioria do povo cubano.

Meu caro, contista, devo, também, compreender que alguns intelectuais ocidentais perderam a sensibilidade de esquerda de outros tempos por conta de situações pontuais da própria esquerda. É por isso, meu caro, que jamais o julgarei fechando "questão" ou tirando "sarro". Já disse em outras ocasiões que Cuba não nos une, mas a arte sim, o rock sim, o fluminense sim e acima, de tudo isso, a amizade.

Para fechamento de conversa devo, ainda te dizer, que as questões pontuais da esquerda me atingiram, também, mesmo assim e graças a Deus a minha leitura sobre o mundo e, principalmente, sobre o povo do mundo vão além dos editoriais comprometidos e unilaterais de "Veja", "Folha de São Paulo", "Estadão" e outros que tentam nos levar para um reducionismo de direita perigoso. Tenho dito!


Saudações cordiais,


Emerson Araújo

Tuntum (MA), 03 de Setembro de 2010.

Nenhum comentário: