Pintura – Cavalos Árabes Lutando Em Um Estábulo


Nos últimos anos de vida, Delacroix retornou muitas vezes aos temas que tanto lhe impressionaram em sua viagem ao Marrocos, em 1832. Fez muitos quadros e desenhos sobre lutas entre animais e cenas de caçadas de leões e tigres. O que era recordação, o que era imaginação fértil do artista baseado em recordações da viagem, o que era influência do estilo de Rubens ou observação dos animais selvagens mesmo em Paris, nunca se soube.

Uma de suas obras mais estranhas é um esboço sobre a caçada de um leão que fez quando preparava um mural para a cidade de Bordeaux. O desenho selvagem, a explosão de manchas de cor em tons quentes, são um prenúncio do fovismo.

Desde muito jovem, como seu contemporâneo Theodore Gericault, ele se sentira atraído pela selvageria das feras. Numa carta escrita do Marrocos ele menciona uma luta entre cavalos selvagens que assistira. E que resultou nessa obra-prima.

“Cavalos Árabes Lutando Em Um Estábulo” é sua versão da cena que assistira, onde combina o clássico com o exótico. É tela que mostra claramente o domínio do artista sobre sua arte e o modo como valorizava os elementos do movimento. Como em uma dança selvagem, os cavalos sugerem uma luta perpétua, de modo a enfatizar que a forma e o conteúdo são inseparáveis.

Os altos elogios de Charles Baudelaire à contribuição de Delacroix ao salão de 1859 não foram suficientes para calar a crítica acerba que recebeu. O pintor decidiu que não participaria mais do salão. Em 1861, as respostas pouco animadoras que obteve para seu novo mural na Igreja de St. Sulpice fizeram com que ele dissesse que não via muito sentido em continuar a pintar, se era para agradar a apenas 30 pessoas em Paris.

Delacroix não era dado a sentimentalismos, nem era uma pessoa pretensiosa, mas como todo artista, era sensível. Baudelaire disse dele: “Delacroix era apaixonadamente apaixonado pela paixão, mas friamente determinado a expressar sua paixão do modo mais sóbrio possível”.

Eugène Delacroix faleceu em Paris, em 1863, aos 65 anos, e está enterrado no Cemitério Père Lachaise.

Obra datada de 1860. Óleo sobre tela, dimensões: 64,60 x 81 cm.

Acervo Museu do Louvre, Paris

Fontes: Encyclopedia Britannica


Subtraído do Blog do Noblat

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