Iniciando a semana


Emerson Araújo

Continuo achando que a imprensa brasileira de plantões não toma jeito. Ela precisa sempre de um novo circo de horrores para se manter viva, o que é uma aberração sem adjetivações plausíveis. Neste domingo próximo passado as programações das grandes redes de tv brasileiras pioraram ainda mais com as veiculações dos crimes de Mércia e Eliza em programas e revistas especiais o dia todo. Mesmo com a decisão da copa do mundo de futebol nos campos de Mandela ficamos a mercês de aulas chatas de direito criminal e posições arrogantes de delegados de polícia e imagens de assassinos confessos ou não nos enchendo a manhã, a tarde e o restante da noite num domingo que poderia ser só do futebol e dos vitoriosos sobre a bola.

Assim, chego a segunda-feira, por aqui, com um vazio danado diante do lugar comum de uma imprensa que não preserva a paciência dos seus receptores. E quando tenta preservar inventa a imagem de um polvo chamado de Paul como se fosse o profeta do momento. O besteirol caminha, a passos tão largos, sob comentários previsíveis e lógicos demais.

A Espanha tornou-se campeã de futebol ontem não pelo acerto induzido de um polvo feio e nojento e sim porque esta última copa assim como a anterior transformou o futebol em resultado mínimo. Só por isso e pronto. O resto é a imprensa brasileira de plantões sem vocação e sem ânimo para nos proporcionar o inusitado.

E por falar em inusitado tudo caminha para a mesmice de sempre: muitas fofocas, candidatos que negam seus programas de governo e uma caminhada deslavada rumo ao poder político a qualquer preço. Basta ver o Serra querendo ser o entreguista FHC e a Dilma, o aliancista Lulalá. Os outros nanicos e sem votos preliminares ainda, na mesma ciranda, na mesma roda buscam a melhor fatia, também, dos poderes nacional e estadual prementes.

Parece-me que nem a música de morte expelida pelo alto-falante da matriz de São Raimundo trabalhou hoje. Ainda bem, pois este tempo deverá vencer a morte e os mortos que a imprensa de plantões no Brasil teima em nos empurrar goela e intestino abaixo.

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