O ensaio da utopia

Foto: Sebastião Salgado


A Manoel da Conceição e Domingos Dutra

Emerson Araújo

Neste sábado sem todos os ventos
Luto para construir uma frase sem barulho
Mas os limites são tantos, as pedras também
Mas luto apesar da morte que ainda se abate
Sobre os campos de arroz e milho
Do meu Maranhão.

Sei que o companheiro próximo
Não foi honesto comigo e nem com outros
Porque se vendeu a preço de nada
E traiu a esperança das frontes alevantadas
O sonho da foice e do martelo
A lágrima camponesa.


Neste sábado há de se construir ainda a frase possível
Mesmo neste clima de perda que sopra da eterna península
Partida sublime de Mestre Saramago
Posição que eu rubrico de Mestre Conceição
Nos átrios do podre poder que compra
Não oferta nenhuma solução.


Creio, meu companheiro, Domingos
Que precisamos ensaiar uma nova utopia
E institucionalizar o nosso lamento
No rumorejo dos coqueirais maranhenses
Nas taperas dos nossos irmãos e irmãs
Do pobre Maranhão
A nossa festa de vitória e brinde
Contra a traição e a entrega total da velha utopia
Aos fascistas de plantão.


Neste sábado sem todos os ventos
Luto para construir uma frase sem barulho
Mesmo neste clima de perda que sopra da eterna península
A esperança das frontes alevantadas
O sonho da foice e do martelo
A lágrima camponesa
Ensaia a utopia patriota.

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