Os sinos dobram

Emerson Araújo

Frei Dionísio não agüentava mais puxar as cordas do velho sino. Sozinho, o velho pároco de São Raimundo, queria ir embora. Passara a vida batizando, casando e encomendando. Num domingo de outubro o sino silenciou, a matriz não abriu. Meses depois soube-se que Dionísio fora encontrado nas matas do Ipu-Ru. Casa coberta de palha, fumaça na chaminé, Perpétua de joelhos fazendo café. Dionísio e a antiga cozinheira da paróquia dobravam outro sino.
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Um comentário:

amaral disse...

frei dionísio é um personagem forte, o fio da narrativa, como a corda do sino, pede pra ser tocada. mande ver cmdt, desenovele essa prosa.