quarta-feira, 14 de abril de 2010


O ninho

Emerson Araújo

Pombinha deitada, uma lágrima na face.
O casebre na Vila Real fedia, a mãe bêbada maltrapilha babava.
Não havia esperança mais.
A dor na barriga denunciava fome.
Resistira o quanto pôde ao assédio do vizinho de lado.
Dez reais era o preço de uma quentinha.
Pombinha levantou, passou as mãos nos cabelos crespos.
Uma poça de sangue feminino e meleca de homem ficaram no chão.