Ex-governador W. Dias despistou a mídia e desorientou aliados.

Zozimo Tavares

Conta a lenda indígena que o Caipora, protetor da fauna e da flora, tem uma misteriosa e incrível força que chega a partir ao meio o machado do caçador. Porém, a sua principal característica é a direção contrária dos pés em relação ao próprio corpo. Caminhando com os pés para trás, ele desorienta e despista o caçador, colocando-o numa perseguição a falsos rastros.

Nos últimos tempos, o ex-governador Wellington Dias viveu seus dias de Caipora na política: ele caminhou para um lado e sinalizou que andava para o outro. Caminhou no rumo do Senado e fez de conta que ia na direção do ostracismo, ficando no cargo até o final do seu mandato, que se encerraria a 31 de dezembro próximo.

Com isso, ele despistou todo o blocão governista, que ele chamava pomposa e soberbamente de “base aliada”. Com isso, ele desorientou também a mídia local, especialmente aquela que mais esteve fielmente a seu serviço nestes sete anos e pouco de mandato. Quando anunciou que ficava, recebeu dela o honorável título de “estadista”, pela atitude.

Antes de anunciar solenemente a decisão de ficar no governo, ele enganou o vice-governador Wilson Martins, que foi dormir governador, na noite do dia 18, e acordou sem o cargo, no dia 19, quando Wellington jurou que ficava até o término de seu mandato, dispensando a candidatura ao Senado.

O próprio PT também se perdeu no encalço do governador. Primeiro, lançou o secretário de Fazenda, Antônio Neto, a governador; depois, como numa travessura do Caipora, teve que substituí-lo pelo secretário de Educação, Antônio José Medeiros; a seguir, sacou Antônio José da candidatura, reconvocando Antônio Neto para a disputa; agora, Antônio Neto é outra vez descartado e Antônio José volta ao páreo...

Até o deputado federal Marcelo Castro, psiquiatra por formação e que na juventude foi um exímio caçador de tatu nas serras de São Raimundo Nonato, ficou perdido ao seguir o rastro travesso do governador.

Como Wellington caminhava o tempo inteiro feito o lendário Caipora, com os pés para trás, quem também se deixou ser enganado pelas falsas pistas foi o senador João Vicente Claudino. O senador seguiu os passos do governador e acabou no mato sem cachorro, sem o seu apoio para concorrer ao governo.

A lenda conta que andar com os pés para trás é só uma das tantas artimanhas do Caipora.

Diário do Povo

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