A cozinheira e o pároco


Imagem: Arquivo Google
Emerson Araújo

- Frei Dionísio escolha uma das duas meninas e pode levar! Santo Lopes fora categórico. O velho pároco de São Raimundo não se fez rogado. Olhou, olhou e apontou: - é aquela ali que vai. Perpétua sem saber de nada, pureza de adolescente, arregalou os olhos. Levantou-se, dirigiu-se a porta do quarto, entrou, saiu com duas sacolas de plástico na direção da aero willys. Uma chuva serôdia fechou o céu.

Do Ipu-Ru até a paróquia de São Raimundo era caminho largo, Perpétua em silêncio. Não viria mais a irmã Petronila, o pai conversando com Frei Dionísio algumas vezes, depois nunca mais. A velha camioneta parou, a Matriz, início de noite, janeiro. A chuva descia com força nas bicas e cumeeiras.

Perpétua Maria da Conceição aprendera a agradar Frei Dionísio. O pároco cansara da batina em outubro. Dionísio e Perpétua no Ipu-Ru, cinco anos esquecidos na precária palhoça, ele estendido na rede de cordas, o cemitério.

Perpétua sozinha, a chuva findara. Dionísio enterrado.

Um comentário:

f.wilson disse...

Emerson, lendo esse criativo conto seu, lembrei da literatura fantástica de Gabriel Garcia Marques. Há sempre um personagem padre nas narrativas do escritor colombiano.
Abraço, poeta!