Isabella Nardoni em paz

Emerson Araújo

A semana finda sem nenhum atrativo aparente. As mesmas pessoas, os mesmos jogos, as mesmas novelas e os noticiários cotidianos infestados de violência urbana e corrupção política sem punição. É o nosso mundinho e sua formatação repetitiva, insípido em todos os seus arredores.

Mas nesta semana se abriu uma janela para o olhar atento e, de repente, surge o julgamento do casal Nardoni no fórum de Santana em São Paulo após dois anos da morte da pequena Isabella filha de Alexandre Nardoni e enteada de Ana Jatobá. O casal é acusado de esganar a menina e jogá-la do nono andar de certo edifício London em sampa.

Bem, não vou querer saber dos liames criminais do evento, mas colocar meu olhar sobre a cobertura da imprensa brasileira durante ele.

A imprensa brasileira continua sendo competente em amaciar as realidades, subtraindo dela apenas aquilo que lhe é de interesse e que renda números concretos junto aos institutos de opinião pública e grana nos seus cofres cada vez mais recheados. O caso Nardoni, como é conhecido, foi “faca” no queijo para portais, noticiários, programas policiais suspeitos e os jornais escritos que nos encheram a semana toda com comentários previsíveis e resultado do corpo de júri já previamente antecipado. Sempre sob a participação da população sedenta por sangue que fez de tudo para aparecer diante das câmeras e repórteres esforçados a serviço do circo.

Somado o resultado da condenação, ele 31 anos e ela 26 anos, adentra-se neste sábado ainda com os comentários finais de especialistas “cacheados” pelas grandes redes de televisão e imagens de uma população orientada para está em frente ao picadeiro para celebrar com fogos de artifício, batuques de escola de samba, palavrões contra os réus, a saga da população que agora ver justiça sendo feita. E a imprensa nacional cada vez mais parcial acreditando na premissa do dever cumprido.

Adentra-se no sábado, finalmente, de ressaca após a farra institucionalizada pelo Tribunal do Júri como se fosse quarta-feira de cinzas a espera do próximo espetáculo, ou melhor, carnaval com novos pierrôs.

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