A chuva universal



Emerson Araújo

Para Mônica Almeida

Recompor os labirintos nesta noite
É a tarefa mais imediata que te proponho
Não há ventos nem arco-íris sob o céu de chumbo
Cheiro de chuva nova a escorrer nas veredas
Entre quintais inumeráveis
Folhas caídas e pétalas murchas mascadas


Há temporalidade definida no cenário
E a mulher de cinta versátil
Baila diante de mim sem grandes pretensões
Sem barulho de tambores e címbalos


Aqui o tempo não funciona para nada
E o cálice de vinho está vazio
Sem perfume e sem galope alado
Mas com o toque de azeite quente
A descer corpo a fora
Ou na ponta da língua ávida


A canção na chuva em dédalos artísticos
A brilhar sobre os dezesseis movimentos
Que julguei resenhar para te ofertar nas minhas vertigens
Em cerimônias salivares por dentro
Por fora a debulhar, debulhar milho e espiga
Em taça de vidro e pérola
Nesta chuva que rega a colheita
Que é universal.

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