segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ENSAIO SOBRE A AUSÊNCIA

Crédito: Arquivo do Google
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Emerson Araújo

Não pretendo escrever aqui nenhum conto ou pretensa crônica. O que me faz ensaiar nesta tardezinha sem atrativos é a ociosidade. Apenas isso, nada mais.

Continuo sem heranças e sem herdeiros. E se ajudei a gerar filhos foi por destinação mesmo, sem reservas e exceções. Há na feitura de qualquer geração sonhos e diversos pessimismos latentes, depois. Mas faz parte, aliás, sem querer contribuir com filosofias ou doutrinas, parte faz.

Retorno ao topo da única questão para o ensaio, a ausência. E como diz Proust: “para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças?", portanto, estive sempre presente mesmo nas mais tenras ausências como as de agora. E vai ser assim a partir de hoje, não terei mais compromissos com nada, nem com os cotidianos protocolares que ainda de maneira parca colocam um naco de pão sobre a mesa. A minha ausência nas coisas fugazes e indeléveis será mais intensa, doa a quem doer, chore quem chorar.

Sou um ser ausente em nova formação nas barrancas do rio flores a vislumbrar um mero reflexo ofusco na lâmina d’água sem ser narciso, sem ser hades.

Sem novas interrogações reabilito e ponho aqui a minha apologia a todas as ausências, as mais freqüentes, aquelas que virão ainda. Todas elas postas em umbrais como marca de atuação sobrenatural, também.

E numa extensão particular e atuante abro os olhos e sem automatismos genéricos e gerais quero, nesta tardezinha, abrir o ano que se inicia com uma breve oração que não deixa de falar sobre a próxima ausência inscrita na memória ou pelo menos num novo poema para quem ama.

1 comentários

Anônimo disse...

por toda a vida pra sempre!