Canção de Solidariedade ao povo do Haiti


Foto: Reuters
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A minha canção sob a chuva serôdia que cai neste maranhão
É apenas um grito absorto diante do caos e da miséria humana
Não vou penalizar a natureza e nem sua fúria
Mas é preciso cantar

Cantar mesmo uma cantiga de melancolia
Diante do trágico e do absurdo que me comove.

Insisto, não quero linguagem indecifrável e nem palavra seca
Quero sim harpas e violões sobre os corpos nos escombros
Sobre a borboleta que suga o néctar da flor silvestre
No dia após a morte num rio que agora é porto
E que foi príncipe sem princesa
Princípio sem gênesis.

Que digam as mariposas que este canto é contextual
Mas é humano que lamenta a perda de crianças
Mesmo sob o legado da fome nas ruas
O legado da raça que veio da áfrica oprimida
Para serem oprimidos diante de açoites
E mãos calosas expelindo carmesim.

Que digam os homens de gravatas de wall street
Que o Haiti não é aqui e não seja lá
Mas fica o brado de Isaías no monte de sião
Ainda o Haiti comerá o melhor desta terra
A minha canção sob a chuva serôdia que cai neste maranhão
É apenas um grito absorto diante do caos e da miséria humana
Profecia em canto que não renega a minha utopia.

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