segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A voz que canta


Para Mônica Almeida

Emerson Araújo

Faço minha a palavra do único poeta
Que uniu sonho social e pétala partida no caminho
Mas sei que tenho limitações intermináveis
Dentro da noite que trafega lentamente
Nas minhas retinas e em teus barcos com velas rasgadas.

Aqui não há bosques e nem veredas de flores silvestres
Talvez, quem sabe, cheiro de estrume e alfazema
Quando se fecha a porta do quarto e começa a bailar
Começa a subir numa cauda de estrela que depois respinga
Em gotículas salivares entre aurora e penumbra
Entre você e eu.

Sei que não há epílogo quando se navega em mar aberto e branco
Mas é preciso comer todas as idéias racionais
E ficar resoluto, centrado nas coisas que não se definem
A meio termo, meio da tarde de dezembro
Assim a voz que fala aqui está na espera da linguagem em cristal
E eu e você firmamos novo acordo...

2 comentários:

f.wilson disse...

Poesia bonita, caro Emerson, a dedicatória há de merecer.

EMERSON ARAÚJO disse...

Sim meu caro poeta, F. Wilson, sim há de merecer.