segunda-feira, 30 de novembro de 2009

BLONDIE


J.L. Rocha do Nascimento

DE ONDE VEM
Um ponto no infinito. É o que a objetiva capta quando a cortina se abre. Quando avança lentamente uma imagem trêmula surge no canto. Sob um sol causticante. Um só corpo é o que parece ser. Quando se fecha aí se vê. Não é o que se pode chamar exatamente de marcha lenta. Movem-se por inércia. Não são as patas que removem os grãos é que as impulsionam. Os joelhos já não dobram mais.

PARA ONDE VAI
Eles avançam. No desfiladeiro se deixam arrastar sob o olhar atento de um caramujo do deserto que enterra a cabeça na areia aos primeiros gritos do coiote. Tão descarnados. Tão sedentos. Difícil dizer quem é homem quem é montaria.

QUAL O SEU NOME
Desviada para o lado esquerdo a cabeça baixa pela força gravitacional abandonou o movimento do pêndulo. O chapéu mais ainda. Não impedem que o sol siga abrindo crateras. O charuto no canto da boca o barulho do vento na noite passada apagou.

NINGUÉM JAMAIS SOUBE
Ainda assim ele segue. As rédeas seguram a mão esquerda. Mas não se engane quem vê a outra dormindo sobre o coldre. Está atenta. E formigando.

Vamos. Faça o meu dia.

1 comentários

EMERSON ARAÚJO disse...

Continuo afirmando que a contística de J.L. Rocha do Nascimento é um forte exercício da realidade fantástica, subtraída de mestres como Júlio Cortazar, Jorge Luís Borges, Murilo Rubião e Gabriel Garcia Marquez. Aqui, neste Blondie, o que pode parecer uma sequência de faroeste moderno, é, de fato, o desbravamento dos nossos "oestes" através da prática da mentalinguagem,também, e do fantasmagórico que nos adentra em impulsos nervosos. A mão imapaciente sobre o coldre, é a nossa mão nervosa querendo apertar o gatilho na cara de tantos desafetos diários. Parabéns, poeta do conto, você é mestre.