Senhor Jocas Oeiras,

Só agora depois de hibernar pelas plagas maranhenses, resolvo comentar o previsível sobre o besteirol que a intelectualidade "deprê" desta província tem posto em blogues de todo naipe nos últimos meses: O Bar Nós e Elis.
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Quando fiz o comentário na postagem do meu amigo Airton Sampaio foi de fato para me solidarizar com ele sobre a falsa importância dada a este reduto da burguesia esquerdizante chata de Teresina, comandada pelo economista/deputado Elias Prado Júnior e que vossa senhoria e seguidores continuam, tentando sacralizar em livro a ser publicado, no mínimo, sob a anuência do poder público ora de plantão. Não é de estranhar, pois o projeto de cultura implantado pelo governo do meu Partido é pior do que os dos governos da direita agrária do passado.
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Senhor Jocas Oeiras quero, aqui dizer, ainda, que vossa senhoria não precisa ter medo de mim, pois não sou muita coisa não neste novo latifúndio chamado Piauí, apesar de reconhecer que minha militância intelectual foi nas salas de aula, formando gerações, eu acho, né. Com isso a minha opinião não deve provocar em ninguém nenhum medo, pois a ferramenta de contestação ao besteirol previsível que uso é a palavra, somente ela.
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Por fim, Senhor Joca Oeiras continuo com o mesmo pensamento de antes, ou seja, fui a este Nós e Elis algumas poucas vezes, sozinho ou acompanhado, declamando alguns poemas para uma platéia que se deleitava com ensopado de camarão suspeito e vodca falsificada em caipirinha que infernizava a cabeça e o estômago na manhã seguinte. Nada mais que me fizesse santificar este lugar depressivo que hora vossa senhoria relembra.
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E como bom nordestino que sou, achava mais legal mesmo era o Bar da Pretinha na Paiçandu em final de tarde com o meu amigo e poeta de saudosa memória Wilton Santos, pois lá éramos amigos das rainhas de lábios vermelhos e sainhas sugestivas ou então nos finais de semana no Bar Acauã no bairro São Pedro de propriedade do Chico irmão da poetisa/amiga Marleide Lins Albuquerque em companhia de F. Eduardo Lopes, Chico Castro, William Melo Soares, José Olimpio de Melo, Toinho, Miso, ZéMagão e tantos e tantas numa sinfonia onde rolava tudo. Tudo muito bom e sem frescuras depressivas e nem rei para patrulhar ninguém. Teresina sob a égide dos seus bares de conotação alienante, mas feliz e como feliz, meu caro.

Como última declaração deixo ainda isso: transformar Teresina em um bar é, no mínimo, reduzi-la a nada e sem falar que a esquerdinha de plantão nasceu nas mesas desse Nós e Elis para depois esquecer o pensamento mais básico de Karl Marx.

Emerson Araújo

3 comentários:

AirtonSampaio disse...

Emerson, assino embaixo de tudo que vc escreveu. Aliás, vc lembra daquela nossa farra na Paiçandu onde, pela primeira vez, pequeno-burguês que sou, bebi uma tal meiota? Eu e vc, nós não éramos do pó, que isso ficava pros sinhozinhos da elite da cidade. Que noite! Mas não, essa nostalgia não merece um livro... E, poeta, quanto mais nos distanciamos politicamente, mais amigos ficamos. Abração!

EMERSON ARAÚJO disse...

Meu caro, Airton Sampaio, lembro daquela noite: Eu, você Otacílio Pinto e mais alguns amigos daquela época. Quanto ao distanciamento político isso é coisa menor neste novo latifúndio. Somos amigos e temos projetos estéticos parelhos, o resto amigo, é nada. O que fica é a amizade e a certeza de que se tivermos em lados opostos políticos amanhã, ainda, você terá um árduo defensor porque sei que a recíproca será a mesma. Abração!

AirtonSampaio disse...

Também acho, poeta, também acho. Abração!