Coimbra, Portugal.


A releitura de imagens dos monumentos arquitetônicos da cidade de Coimbra, previamente selecionados, pertence à linguagem estética do artista dentro do recipiente da virtualidade, instrumento dos meios de comunicação de massa que sustentam e caracterizam a realidade contemporânea.

O diferencial estético da proposta artística está fundamentada na célula composicional vetorizada do elemento matriz, estilizado, representado pela palma da carnaúba que substituirá a função do picles, elemento primordial no mapeamento da imagem do sistema bitmap, exercendo a função de um macro-picles. Enquanto o mapa binário dos bitmaps utiliza-se do sistema digital para o ajustamento do mosaico de picles, o artista faz sua interpretação da imagem através do seu macro-picles elementar, o vetor analógico e manual, com o qual inverte a função, ao invés da máquina imitar o humano, este imita a máquina, fazendo um sampler da linguagem digital, num sotaque pós-humano.

A opção pela forma triangular e pelas linhas retas, que dificultam a estruturação de planos circulares, assim como o abandono das curvas, é o seu desafio. A escolha é fundamentada em princípios da matriz antropofágica que remete à identidade de culturas primitivas em que o ritmo ternário, assim como a iconografia dos triângulos, são determinantes no universo lúdico e mítico dessas culturas. Tal conceito se materializa de forma conclusiva pelo resultado de apropriação do elemento estrangeiro digerido e expelido na linguagem estética.

Como forma inusitada de proposta de objeto artístico, a obra, que habita a realidade virtual, não possui um original, as convenções paradigmáticas de uma obra original são, dessa forma, motivo de reflexão. Esse discurso estético traz a tona os conceitos e os caminhos por quanto passa a arte contemporânea, além de trazer um diferencial de autonomia na relação do sujeito com o objeto-artístico, possibilitando diferentes formatos e suportes para a realização desse mesmo objeto que será concluído de forma interativa, com o sujeito participando da configuração final da obra. Será através da impressão do arquivo presente na mídia, cd, que o observador, diante desse pré-objeto artístico, vislumbrará a imagem da obra criada optando pelo formato e suporte que preferir, conferindo a este a autonomia da temporalidade e existência da obra.


antônio amaral

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