Crônica em Maio

Foto: Sebastião Salgado

Emerson Araújo

Alguns temas da província não me interessam mais. Resolvi mais uma vez me ausentar dos eventos oficiais e dos besteiróis que não acrescentam, não somam. Voltarei a ser anônimo. Serei anônimo. Ponto pacífico e pronto.

Mesmo diante deste desânimo ainda manterei os dedos em prontidão para manípularem tantas e outras palavras antagônicas ao rei e a certos súditos que perambulam pela corte provincial. Aliás o tempo é lúgubre e que me perdoem "os caros amigos", mas o tempo é de escuridão, sem nenum movimento, sem o olhar de arco-íris do colibri de pelúcia.

É preciso dizer que não há despedidas aqui, apenas aproveito o legado da urgência deste momento para expelir, quem sabe, a última lágrima ainda retida e que me faz um mal danado e me dá a sensação de uma jangada a deriva.

Sei, também, que uma parte de mim é razão, a outra nem tanto, mas reafirmo a vida e suas minúcias. É o que importa na sua plena essência apesar da lentidão e das pétalas que se viceja além da janela no pequeno quintal do vizinho que teima em se manter em silêncio, cultivando as desconfianças naturais do lugar.

E antes que o crepúsculo reapareça intensamente e invada este ambiente sem barulho, abro agora, espaço para uma boa lembrança: a minha mãe( Dona Rosinha) orando na rede colorida do quarto em penumbra, dando a maior força para amenizar a minha tristeza singular.


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