os olhos nos olhos

Foto: Sem crédito

joão luiz rocha

naquele fim de tarde
ela derramou seus olhos
na direção dos meus
entre distraídos e desconsolados
com a cor do sol.

recompostos a tempo,
deu de encontrá-los a meio caminho.

ali se frearam os dois dos dois
e circularam entre si
entreolhando-se ao derredor do mais
íntimo segredo.

os dela, a seguir, se puseram
a desviar dos meus
que os perseguiu ansiosos até
alcançá-los no último degrau da alma.

esbaforidos, até das órbitas quase saltarem,
refrearam mais uma vez
tensos de medo
até que fitos os olhos nos olhos
imobilizaram-se as pálpebras.

num estudo silencioso
disseram amenidades
trocaram confidências
confessaram pecados cometidos
sonharam dias não vividos.

e assim meio afins
fizeram-se cúmplices
as pupilas dilatadas pelos desejos
rasos d’água.

e embeberam-se uns nos outros
e brilharam-se uns pros outros
e juraram-se uns aos outros.

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