sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O olho da serpente vermelha

Pintura: Antônio Amaral
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O que essa imagem tem em comum com kandinsky, maiakosvski ou soljenitsine, diria que muito pouco se não levasse em questão a representação da arte como objeto de discussão e reflexão para alguns temas. Aqui, oportunamente me ocorre o realismo socialista. Embora, essa pintura, penso eu, não comporte esse triste emblema, por isso esteja aqui, junto com esse insignificante discurso. Talvez por ter, essa tela, um apelo temático sobre habitação, tentei vendê-la a instituição ADH, antiga COHAB que depois de apreciada por seus membros, foi recusada, como seria de legítimo direito, pois não se trata de imposição, mesmo porque o fenômeno estético habita a relação entre sujeito e objeto, e a possibilidade de rejeição é perfeitamente compreensiva, fato não fosse a justificativa de lastimável pretensão. A imagem se trataria, na compreensão deles, de uma favela e que isso não ficaria bem e nem é o objetivo da empresa, como se a instituição fosse um templo onde certas imagens são maléficas. Penso na limitação estética de nossa esquerda, digo assim, porque sabemos que são homens de nossa esquerda ideológica que gerenciam a instituição, e esse é um comentário retórico típico desse pensamento. Quando kandisnk saiu da Rússia, fugia desse tipo de pensamento desse pensamento totalitário chamado realismo-socialista que tinha como ponto indiscutível a estética de seus artistas a serviço do regime. Fico imaginando como um equívoco assim sobrevive tanto tempo, mesmo depois de tanta demonstração de sua intolerância. Parece que de nada valeu o esforço de pensadores, até de sua própria corporação marxista, como Walter Benjamin, em tentar fazer seus patrícios compreenderem que a arte não existe apenas pela natureza semântica, temática, não é apenas conteúdo, existe o fenômeno estético, e este habita uma relação onde um dos elementos envolvido é o humano, portanto, emocional, sensorial não cartesiano e que a arte como natureza libertária não está a serviço de nenhum pensamento. Mesmo que essa imagem traga a força do tema, habitação, não traz o óbvio, respostas, soluções. A arte não responde, pergunta. Infelizmente o que queriam era uma ilustração da instituição, isso não fui e nem serei capaz de fazer.

antônio amaral


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