Cuba: 50 anos de Revolução Socialista (2)

Foto: Arquivo Google - povo cubano em festa
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Augusto César Petta*

Em artigo que escrevi em dezembro de 2008, procurei contar, resumidamente, alguns episódios ocorridos há 50 anos e que possibilitaram a chegada, ao poder político em Cuba, de um grupo de revolucionários comandado por Fidel e Raul Castro e por Che Guevara. Nesse último mês, a Grande Imprensa noticiou as comemorações dos 50 anos da Revolução, enfatizando aspectos negativos desse processo.

Não é fácil deixar de reconhecer os evidentes avanços e conquistas garantidos pelo povo cubano. Mas, como não é do interesse dos que querem a perpetuação do sistema capitalista, explicitar os aspectos positivos do sistema socialista, os representantes do capital procuram transformar problemas vivenciados pelo povo cubano numa crítica feroz ao socialismo, como se estes problemas fossem inerentes ao próprio sistema socialista.

Quando a Revolução Cubana se aproximava dos 40 anos de existência, tive a feliz oportunidade de visitar Cuba. Participei de um Encontro Internacional contra o Neoliberalismo. Conheci Havana, Varadero e Pinar del Rio. Vi como funcionam as fábricas e o comércio. Juntamente com dezenas de outros sindicalistas, mantivemos contato com sindicalistas cubanos e de outros países. Conheci um pouco mais a história de Cuba, os avanços da saúde, da educação e de outros bens necessários ao desenvolvimento dos seres humanos. Foram alguns dias vividos com muita intensidade!

Se você leitor me perguntasse, o que mais me chamou a atenção, eu diria que é o nível de consciência política do povo. Um dia, saímos para passear em Havana. Encontramos, sentado num banco de uma praça, um homem que tinha aproximadamente 70 anos de idade, idade semelhante à que tinha na época Fidel Castro, e ao lado dele, um jovem de aproximadamente 25 anos.

A aproximação foi fácil de se fazer. O contato se estabeleceu rapidamente. Quando eles souberam que éramos brasileiros, demonstraram efusivamente admiração pelo nosso povo. Ouvimos deles frases que me marcaram muito: '' Fizemos transformações profundas em Cuba, tendo como comandante Fidel Castro, mas estas transformações só atingirão objetivos maiores quando vocês, brasileiros, conseguirem conquistar o socialismo.

Cuba é forte, mas é pequena, o gigante da América Latina é o Brasil. Vocês não podem desanimar! Estão de parabéns por terem derrotado a ditadura comandada pelos militares e pelo governo dos Estados Unidos. Mas precisam ainda caminhar muito. Com as transformações que deverão ocorrer no Brasil e em outros países da América Latina, conseguiremos enfrentar com força, o poderio econômico dos Estados Unidos''.

Pode parecer que foi uma coincidência ter encontrado pessoas politizadas. Mas não é isso. Em geral, os cubanos são muito politizados. A questão política está sempre na ordem do dia! O processo revolucionário, desde as suas origens até os dias atuais, foi construído com a participação popular. Daí as dificuldades das elites estadunidenses derrotarem Cuba!

O professor Emir Sader ressalta, num artigo escrito em seu blog, no dia 29 de dezembro de 2008, as dificuldades enfrentadas por Cuba:'' 50 anos em que Cuba enfrentou as mais difíceis condições - do bloqueio dos EUA às duas tentativas de invasão do país por parte do governo estadunidense, pelo fim do campo socialista, pelas agressões reiteradas do imperialismo, pelo bloqueio e pelas mentiras - do que diz e do que cala - da imprensa monopolista mundial, pelo período especial e pelas catástrofes naturais...”

''São 50 anos de luta, de dignidade, de busca incessante da construção de uma sociedade justa, de apoio aos que precisam de apoio de solidariedade, com todos os povos do mundo. São 50 anos em que Cuba aponta o caminho da sociedade desmercanilizada, humanista, internacionalista - da sociedade socialista, de José Martí, de Fidel e de Che''.

Em Cuba, nada se paga pelo direito à educação e à saúde de qualidade. O índice de alfabetização atinge 99,8%; há um médico para cada 160 habitantes; enquanto nos Estados Unidos, o índice de mortalidade infantil é de 7 para cada 1000 nascidos vivos e no Brasil é de 27, em Cuba esse índice é de 5,3!!

Todos sabemos que a distribuição da riqueza nos países capitalistas é extremamente desigual. Enquanto minorias usufruem dos maiores privilégios possíveis, a maioria é quase que totalmente desprovida dos bens necessários à sobrevivência humana digna.

Termino esse artigo com uma frase que Frei Beto escreveu no dia 28 de fevereiro de 2008, no artigo sobre ''A renúncia de Fidel'': '' Não se espere, contudo, que Cuba arranque das portas de Havana dois cartazes que envergonham a nós, latino-americanos, que vivemos em ilhas de opulência , cercadas de miséria por todos os lados:

''A cada ano, 80 mil crianças morrem vítimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas é cubana''.

''Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma é cubana”.

(*) Diretor do Sindicato dos Professores de Campinas e Região, entidade filiada ao Diap

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