Sete perguntas para Emerson Araújo


Emerson Araújo: Os poetas são fingidores...
Foto: Kenard Kruel.


Germana
Lucas Alves
Maria Jaíres
Mateus
Rafaela
(Alunos do Colégio São Francisco de Sales – Diocesano 7ª série
Professor Adriano Lobão Aragão


Emerson Araújo, professor, bacharel em direito, especialista em educação profissional, escritor. Nasceu em Tuntum, Maranhão, mas é no Piauí que se sente feliz há mais de quarenta anos. Já escreveu: Vendedor de Picolé, Topada, Companheiros de Estrada, As Pedras da Aurora, 16 Movimentos Acima da Escuridão. Participou das antologias Baião de Todos e Estas Flores de Lascivo Arabesco. Fez parte da geração Pós-69, no contexto da literatura brasileira de expressão piauiense.

Qual a importância do incentivo à educação?
Olha, eu me fiz educador a vida toda, portanto todo incentivo a ela deve ter sempre um norte, ou seja, formar integralmente as pessoas para o exercício da cidadania, da vida sem opressores e oprimidos.

Para que serve um blog? Como você usa o seu?
Esta ferramenta de comunicação da grande rede tem me possibilitado a oportunidade de divulgar aquilo que eu escrevo e gosto de ler. É assim que eu uso o meu blog, emersonaraujo46.blogspot.com, para me dizer no mundo.

O que você acha desta frase de M. de Moura Filho, postada no blog pessoal dele: “Se o meu blog parecer a alguém intolerável, pela forma que o conduzo, esqueça-o simplesmente; melhor do que perder tempo, porque a linha editorial no meu blog sou eu quem faço, e somente eu”?
Parece uma frase pedante, né? Mas não é. Quando o M. de Moura Filho coloca isso no blog dele,eu entendo que a criação de um autor, a princípio, é bastante egoísta. Mas não se preocupe com isso, pois todo artista é um fingidor em tudo.

De onde você busca inspiração para escrever?
Vou falar uma coisa. Eu sempre desconfiei desta coisa chamada inspiração, sabia? Mas vou te dizer o que disse para uma mestranda da UFPI um dia desses: eu escrevo para cobrir a lacuna da timidez. Aquilo que não consigo articular através da fala, eu escrevo. Escrever pra mim tem função terapêutica mesmo.

Como você define a sua produção poética?
Desculpe, mas não defino nada. A pior pessoa para se definir é o próprio escritor e, principalmente, o poeta. Os poetas são fingidores, você nem imagina. Portanto, aprenda a desconfiar dos poetas. Dos artistas de uma maneira geral.

Dos livros que escreveu você tem algum em especial?
Pretendo ainda escrever o especial. Todos que eu escrevi representam etapas do meu construir literário. Portanto, todos foram especiais e serão sempre.

Qual a importância da poesia no mundo contemporâneo?
O mundo sempre precisará da poesia. Ela é a mãe da arte literária. Então a importância dela se iguala ao pão da manhã e ao ar de todos os momentos. Poesia sempre!

Torquato Neto nesta semana


Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina (PI), no dia 9 de novembro de 1944.

No início de 1960, transferiu-se para Salvador, onde foi contemporâneo de Gilberto Gil no colégio dos Irmãos Maristas, tornando-se amigo do compositor e conhecendo também os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia, além de Duda Machado, Álvaro Guimarães, TomZé, Gal Costa, Capinam, dentre outros nomes do primeiro time da MPB.

Em janeiro de 1962 mudou-se para o Rio de Janeiro, começando seus estudos de Jornalismo, na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. Mesmo sem ter concluído o curso (abandonou-o no 2º ano), iniciou-se na profissão trabalhando em diversos jornais cariocas, tendo criado e redigido a coluna “Geléia Geral” no jornal carioca “Última Hora”.

No dia 10 de novembro de 1972, foi suicidado deixando o seguinte bilhete: (Trecho) “Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era guia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”.

Em 1973, ocorreu a publicação póstuma do livro Os Últimos Dias de Paupéria, organizado por Ana Maria Silva Duarte e Waly Salomão, com publicação pela Livraria Eldorado Tijuca Ltda - Rio de Janeiro. Livro que seria reeditado, em 1982, pela Max Limonad. Em 1976, alguns de seus poemas foram incluídos na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda.

Em 1997, foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe Nothing the Sun Could Not Explain, organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher.

Um dos mentores do movimento tropicalista, Torquato Neto é o autor de inúmeras letras de músicas de sucesso, como Mamãe, Coragem, Geléia Geral, Domingou, Louvação, Pra Dizer Adeus, Deus Vos Salve a Casa Santa, Ai de Mim, Copacabana, Minha Senhora, A Rua, Rancho da Rosa Encarnada, Chapada do Corisco e Marginália II.

Conheça mais:

- Fifi Bezerra (A Escritura de Torquato Neto);
- Edwar Castelo Branco (Todos os dias de Paupéria: Torquato Neto e a invenção da Tropicália);
- Kenard Kruel (Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida);
- Toninho Vaz (Pra Mim Chega - a biografia de Torquato Neto).

Cogito

Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

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Cogito foi publicado no livro Os Últimos Dias de Paupéria, Livraria Eldorado Tijuca Ltda - Rio de Janeiro, 1973, e selecionado por Ítalo Moriconi para figurar no livro Os cem melhores poemas brasileiros do século, Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 269.

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Programação:

Dia 8/11/2008 (Sábado):

- 17 horas - Exibição dos documentários:

- O Anjo Torto da Cultura Brasileira - Rogério Duarte.
- Torquato Neto - Terror da Vermelha - Isana Barbosa e Ramyro Leal
Local: Sala Torquato Neto - Clube dos Diários.

- 19 horas - Exibição dos filmes:

- Terror da Vermelha - Torquato Neto.
- Nosferato no Brasil - Ivan Cardoso.
Local: Sala Torquato Neto - Clube dos Diários.

- 21 horas

- Show Literato Cantabili (de Claúdia Simone), com o lançamento do livro Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida, do jornalista Kenard Kruel.
Local: Espaço Cultural Osório Júnior.

Dia 9/11/2008 (Domingo):

- 17 horas

- Documentários sobre Torquato Neto.
- Torquato Neto – TV Meio Norte.
- Torquato Neto – Câmara Municipal de São Paulo.
Local: Sala Torquato Neto - Clube dos Diários.

18 horas

- Mesa de Debate: Vida e Obra de Torquato Neto.

- Participação: Noronha Filho, Claudete Dias, Arnaldo Albuquerque, Fifi Bezerra, Dr. Heli Nunes, Edwar Castelo Branco, Menezes Y Morais, Herondina Mendes, Durvalino Couto Filho, George Mendes, Aci Campelo e Emerson Araújo.
Mediador: Kenard Kruel.
Local: Sala Torquato Neto - Clube dos Diários.

19:30 horas

- Mesa de Debate: Geração 70 no Piauí.

- Participação: Airton Sampaio, Rubervan du Nascimento, Menezes Y Morais, Emerson Araújo, J. Luiz Rocha do Nascimento, Bezerra JP, M. de Moura Filho, Herculano Moraes, Francisco Miguel de Moura, Paulo Machado, Adriano Lobão, Graça Vilhena, Marleide Lins Albuquerque, Aci Campelo e Emerson Araújo.
Mediador: Kenard Kruel.
Local: Sala Torquato Neto - Clube dos Diários.

Semana Torquato Neto

Promoção: Sindicato dos Escritores no Piauí.

Apoio: Sindicato dos Músicos do Piauí, Sindicato dos Jornalistas do Piauí, UBE-PI, APL, Fundação Nacional do Humor, UFPI, UESPI, IPOP, Academia Piauiense de Letras, Prefeitura de Teresina (Secretaria da Educação - Secretaria da Comuinicação Social), Governo do Estado (CCOM - SEDUC - FUNDAC).



FOTO: KENARD KRUEL

A poética da resistência cultural



Paulo Machado


Torquato Pereira de Araújo Neto (Torquato Neto) nasceu em Teresina, no dia 9 de novembro de 1944, e faleceu no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 1972.
Poeta, jornalista, cineasta, roteirista, ator e produtor cultural. Um dos melhores letristas do Movimento Tropicália. O principal articulador teórico das propostas dialéticas deste Movimento Cultural.


Fez jornalismo alternativo e participativo. Fez crítica de cinema, questionando o comprometimento político do Cinema Novo e incentivando o insurgente Cinema Experimental.

Foi ator de cinema em filmes produzidos e dirigidos por integrantes da novíssima geração de cineastas brasileiros, nos primeiros anos da década de setenta.

Foi ator e diretor de filmes brasileiros rodados na bitola de super 8mm.

Escreveu roteiros de shows musicais, participou de performances e produziu espetáculos multimídia. Um cidadão brasileiro consciente da grandeza cultural do Brasil e uma referência significativa na história da cultura brasileira no período compreendido entre 1968 e 1972.

A crítica literária exercida nas sessões solenes das academias de letras e pelos escrivinhadores de resenhas nos manuais de literatura brasileira impostos aos professores e alunos desconhece a obra literária do poeta Torquato Neto.
Mas a sua obra literária, porque valorosa, firma-se como uma matriz inovadora para a literatura brasileira.

Os poemas de Torquato Neto não estão incluídos nas "antologias" organizadas e editadas pelas editoras caça-níqueis que proliferam no mercado editorial brasileiro, porque foram escritos para fazerem parte da Antologia Brasileira dos Poetas Insurgentes, que um dia será editada.

Por razões que necessitam de esclarecimentos, o crítico literário Assis Brasil estabeleceu relações de identidade estilística entre Torquato Neto, Kerouac e Ginsberg, principalmente com o último escritor americano. Mas fazendo uma análise da vida e da obra de Torquato Neto é possível concluir que os pontos de identidade estilística são outros e são múltiplos, alguns nacionais e outros tantos estrangeiros.

No processo de formação cultural da nação brasileira, o reconhecimento da obra literária de Torquato Neto ocorrerá no tempo certo. A nação brasileira está em formação, fato compreendido pelo poeta e ignorado pelos críticos literários do Brasil, salvo raríssimas exceções.

É imperioso ressaltar que a leitura do livro Os Últimos Dias de Paupéria, que foi editado após a morte, e que reúne a sua obra literária, não basta para análise e compreensão do seu legado cultural. O livro precisa ser revisto e ampliado, para que alguns poemas inéditos, que têm excepcional valor literário, sejam incluídos.

Vale a pena lembrar que, após o Golpe Militar de 1964, as elites nacionais, sob a orientação do Estado Maior das Forças Armadas, criaram o mito do país em desenvolvimento e puseram à margem o projeto de Nação que as duas gerações de modernistas tinham elaborado. No final da década de 60, no País do Futebol, era proibido pensar. O poeta Torquato Neto assumiu, a partir dos dois últimos anos da década, a incomoda tarefa de pensar e criar de forma conseqüente.

Resgatou a proposição de "desafinar o coro dos contentes" e imprimiu integridade à Geléia Geral. Pôs em curso a poética da resistência cultural, que tem início com Gregório de Matos e continuidade com Tomás Gonzaga, Sousândrade, Augusto dos Anjos, Oswald de Andrade e Carlos Drummond de Andrade. Na linguagem poética de Torquato Neto, estes referenciais culturais estão presentes e conscientemente digeridos. Quem estiver disposto a conferir leia, com urgência, os poetas indicados e fará descobertas surpreendentes. Depois, vai pintar uma vontade irresistível de repensar o Brasil.

(Meio Norte, Alternativo, Teresina, 9 de novembro de 1996, 1ª página).

Somos o sol de Teresina ainda

Emerson Araújo, William Melo Soares, José Pereira Bezerra, Salgado Maranhão, Manuel de Moura Filho, João Luiz do Nascimento e Paulo Machado (Geração 70)

Sem polêmicas



Agora, concordo, com meu amigo Airton Sampaio, a Fazenda Piauí pulsa quando se toca em algumas feridas abertas no plano cultural/literário. Percebe-se nisso, ainda, os orgulhos feridos, "os roeres de corda" como diria Jonas Filipe (meu caçula) postos. E uma defesa sem sentido sobre o óbvio. Aliás o óbvio sempre foi chato, por isso eu o renego.

Usando a primeira pessoa, sem medo de nada mesmo, já apanhei na cara feito um condenado, quero defender, aqui, a liberdade de expressão na sua integralidade, independente de reações impulsivas parta de onde partir. Portanto publicar o e-mail de Chico Castro no meu blog foi uma opção minha, particular, sem ingerência de ninguém. E vai ser assim, não renego a liberdade de expessão em nenhuma hipótese, é ela que me faz viver intensamente.

Outra coisa, quando eu respondi o e-mail do Chico Castro e falei da minha decepção sobre a formatação do SALIPI nos anos que se seguiram o primeiro Língua Viva no qual participei como expositor, foi no sentido de que esta afirmação pudesse contribuir na mudança de rumo do mesmo, principalmente em abrir mais espaço para o autor piauiense, só isso. Não tenho nada no plano pessoal contra Cineas Santos, meu ex-professor nem contra os colegas Luiz Romero, meu amigo de profissão ao longo destes 28 anos de magistério, bem como, Wellington Soares (a quem devo favores, meu amigo, também) nem do Nilson Ferreira outro colega dileto. Mas o SALIPI precisa mudar de rumo, gostem ou não, ele precisa sair do clima de cursinho de escola privada e ir mais além.

Isso é opinião, pode ser acatada ou não, agora encerrar o debate por causa dos ícones, não é justo. Ainda bem que nunca pertenci a nenhum grupo de ativismo cultural de Teresina na década de 80. Mesmo porque sempre fui muito tímido e extremamente arredio. Por isso, que não me aproximei nem de grupo A ou B, fiquei na minha , e fiz muito bem por isso.
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Portanto, mais uma vez, sou obrigado a concordar com meu amigo Airton Sampaio que diz que precisamos ficar adultos diante de algumas verdades, feridas abertas pela intransigência e pela degola. Não me preocupo muito, também, em participar de nada no plano cultural desta província, a prova disso é que me ausentei 25 anos dos embates culturais/políticos para me dedicar a carreira do magistério a praia que mais gosto de visitar. O resto fica para quem gosta de holofotes e acreditar que é o Dom Quixote da vez.

Airton Sampaio disse...


Amigo Emerson, há tantas verdades duras, mas verdades, nesse e-mail do poeta Chico Castro para vc que eu, se enviado o fosse a mim, não sei, na minha extrema covardia, se o postaria.

É que por aqui na Fazenda Piauí se sacraliza tanta gente que qualquer verdade dita, ao invés de gerar a necessaria reflexão, produz é inimizade e rebanadas infantis.

O Salipi há muito que precisa ser repensado em vários aspectos, como por exemplo a presença de tantos forasteiros medíocres, mas se se dizer isso lá vem a eterna ladainha de que se se está boicotando o Salão etc, etc, etc.

Está também comercial demais, apesar das despesas, ninguém desconhece, serem elevadas. Depois, quem faz faz PORQUE QUER: então seria bom parar com essa história de Dom Quixote (eu nunca acreditei nessa idiotice que para mim só cria um vitimismo lamentável) e de se ficar com beicinhos amuados de meninosinhos com calundus a qualquer crítica, por menor ou maior, justa ou injusta, que seja.

Verdades, verdades, verdades... Verdades tão verdadeiras quanto a importância imensurável do Salipi, que só não pode estar é acima do bem e do mal porque A ou B participa "quixotescamente" da sua organização.

Se há tanto sofrimento assim na realização do Salipi (aposto que dá mais prazer que dor!), então, ora bolas, que se não o faça. O que não dá pra aguentar é o nhenhenhém lamentoso de todo ano, assim como ocorre com o Salão de Humor...

Quando é que vamos nós, principalmente eu, ficar adultos? Abração!

Uma possível resposta a Chico Castro




Caríssimo Chico Castro, meu amigo,

Abri o e-mail que você me enviou nesta manhã e me deparei com algumas verdades embutidas nele, que não tinha me dado conta ou, talvez, não tivesse coragem de postular por aqui ou em outros espaços.

Agradeço as deferências sobre o meu blog, primeiramente, o que me agradou bastante partindo de um amigo sincero ao longo dos anos, um intelectual estudioso, um pesquisador nato, um poeta que me deu o prazer na parceria do livreto As Pedras da Aurora na década de 80.

Mas voltando ao bojo do e-mail/carta percebo que você mexe em algumas feridas abertas sobre a nossa geração (não vou rotulá-la), incompreendida até hoje como agrupamento de renovação estético/semântica da literatura piauiense contemporânea.

Devo ainda concordar com você sobre a força do conto como espécie literária nesta geração esquecida e sem medo de errar, também, reconheço que os membros da Confraria Tarântula (Airton, João Luiz, Bezerra e Leonam) representam no cenário da contística brasileira atual o melhor do que se pode encontrar. Apesar da parca crítica literária que existe por aqui, ainda.

Não quero legislar em causa própria, mas a poesia deste agrupamento de literatura contemporânea piauiense, desta geração foi um tapa grande na cara de várias coisas por aqui, também. Fizemos parte disso como militante/autor e como codificador/impulsionador. A poesia sempre vai revolver como tem dito Wiliam Melo Soares, outro que continua resistindo, como nós. Ela precisa ser discutida, porque deu o tom da dissonância estético/semântico deste momento. Somos suspeitos de dizer isso, mas fazer o quê, né!

Por fim, meu querido amigo e irmão, quero te confessar que participei do primeiro Língua Viva seminário que deu origem ao SALIPI e naquele ano acreditei que este evento estaria sacudindo a cidade com a intensidade de dsicussões, propostas que apontassem caminhos para leitura, o ensino da língua, a literatura. A primeira experiência prometia isso. Contudo, ao longo dos anos, este espaço de discussão passou a ser uma sala de aula de cursinho massificada. E o que é pior, desarrumada e sem muito rumo. O que eu vi neste último, por exemplo, foi o tempo/espaço dado ao autor piauiense reduzido. Estive no auditório do Centro de Convenções ouvindo a fala do jornalista Washigton Novaes gerando uma sonolência desgraçada. Porém, Chico Castro, não se espante porque os discípulos são piores do que no passado. Ah, o SALIPI, hoje, também, sofre da oficialização, portanto, não está em nossa direção que fizemos sempre o oposto. Assim lá a não ser que mude de rota se abrirá algum túnel para a nossa geração. E graças a Deus por isso!

Deixo ainda para você aqui a certeza que precisamos abrir canais alternativos para que o Piauí possa conhecer na sua integralidade um grupo de jovens que propôs o diferente, o revolucionário em todas as esferas na busca de uma satisfação estética e plural. Fazemos parte dele e isso me alegra tremendamente.

Um abraço fraterno,

Emerson Araújo

E-mail do meu amigo e irmão Chico Castro


Foto: Fonte Google


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Meu caro amigo Emerson,


Foi com indizível alegria que li o seu blog.

Parabéns!
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Não foi menos exitoso ver textos, poemas e fotografias dos seus e meus amigos de geração. É admirável perceber a sua laboriosa atenção voltar-se, muitos anos depois, e sempre, para a propagação de idéias e de ideais de um grupo de pessoas que há anos vem lutando pela inserção de uma cultura de alto nível no corações e nas mentes dos mais variados leitores.

Vejo tudo com muita alegria.

Os textos do João Luiz, do Leonam (M. de Moura Filho) e do Bezerra são a prova mais fiel de que se trata de uma geração de ouro do conto piauiense.

Posso ir além: os três, ao meu ver, representam o que de melhor há na narrativa curta contemporânea brasileira.

O Airton Sampaio, mais arredio, me surpreende pela sua capacidade de compreender a produção recente do nosso Piauí, sem dramas, nem recalques, muito acima das igrejinhas e das amizades forjadas à mesa de bares.

O que me impressiona é que, essa geração não é ouvida quando se tem a oportunidade de assim fazê-lo, como é o caso do SALIPI, face a truculência do Cinéas, que faz do Salão uma propriedade sua, e não da sociedade piauiense.

Posso até estar enganado. Mas o que eu ouço falar desse senhor, é bomba de arrasar quarteirões... joga farpas em quem produz e manda flores para quem, sem nada fazer, como ele, fica na torre de marfim apontando os prováveis defeitos dos outros....

Por que o SALIPI não faz homenagens à geração do conto piauiense de 1970 até os dias de hoje? Não seria um belo tema para o Salão? Por que não pensar nos poetas da chamada Geração pós- 69, que eu chamo de geração da "trepadinha"?

Não foi o Paulo Machado quem inventou tal nomenclatura? Se tivesse sido eu, até poderia ficar calado...

É espantoso quando se fala ainda em conquista de espaço para uma geração tão brilhante como foi e tem sido a dos anos 70 no Piauí!!!!! É isso.

Continuo sem saber escrever.

Tenho dúvidas cavalares quanto a conduta culta da Língua Portuguesa.

Faça as correções que se fizeram necessárias.

Um grande abraço

Chico Castro

Antônio Amaral em outubro


Livro "Nada" mostra realidade dura da Espanha nos anos 1940


MARTA BARBOSA

Colaboração para o UOL

Carmen Laforet é tida como uma das grandes escritoras espanholas do pós-guerra. E deve isso a "Nada", seu primeiro romance, festejado como obra-prima apenas dois anos após sua publicação, em 1942, e que acaba de ganhar versão em português pela editora Alfaguara (tradução de Rubia Prates Goldoni).

Escrito quando a autora tinha apenas 23 anos, o livro é o retrato de uma Espanha de terceiro mundo, sem ser uma obra cansativamente descritiva ou de tom político. Camen consegue envolver o leitor na dura realidade espanhola do início dos anos 1940 pelas angustias de Andrea, a mocinha provinciana recém-chegada a Barcelona.

Aos 18 anos, é fácil imaginar que o mundo conspira contra. Para Andrea, não faltam motivos. Órfã, ela passa a morar de favor na casa da avó, convivendo com uma família enlouquecida e opressora e, até o dia de sua chegada, completamente desconhecida. A narrativa acompanha o primeiro ano da garota na cidade grande. Nada são flores. Ela atravessa um rigoroso inverno e um verão abafado sentindo a vertigem da fome, da tristeza e da sensação de deslocamento. No apartamento empoeirado da rua Aribau não há espaço para ingênuas lembranças, nem sonhos de juventude. Andrea logo entende que ali precisa amadurecer rápido, sob pena de perder a sanidade. A saída é manter uma distância psicológica, já que a física é impossível, dos moradores da casa: a tia Angustias, cheia de mistérios e disposta a controlar a sobrinha; o tio Juan, um artista frustrado que vive às tapas com a mulher Gloria; o tio Román, cuja maior diversão é tirar do sério quem estiver por perto; Antonia, a empregada feia e turrona; e mesmo a frágil e débil avó, incapaz de pôr ordem na família.Fora de casa, Andrea é uma garota de poucas palavras que precisa lidar com outros tipos de problema, como sua falta de tato para as relações pessoais e o dinheiro curto.

De uma maneira muito direta, uma coisa influencia a outra. Num país de moral apática e dominado pelo provincianismo, é preciso disfarçar bem os sapatos velhos para ser enxergado em meio à burguesia.

A Barcelona de Carmen Laforet é um enorme refúgio de amargurados, onde mesmo os que se propõem serem rebeldes não fogem da caricatura.

Nesse ambiente, Andrea conhece Ena, colega do curso de Letras que consegue ser seu exato oposto. Ena é rica, bonita e vive cercada de pessoas interessantes.

A relação das duas é um sopro de alegria na tristonha vida de Andrea, até que a amiga bonitona se deixa levar pelos galanteios de Ramón, o tio meio pervertido, meio sádico.

Andrea ainda ensaia uma vida boêmia se aproximando de uma turma de pseudo-artistas moderninhos. Mas nada parece suficiente para Andrea, que enxerga como ninguém as distorções nas relações humanas ao seu redor.

"Nada" é um livro inquietante na medida em que todos os personagens parecem viver fora da realidade, enclausurados nas suas próprias insanidades.

Amor e sexo são vistos por uma lente de aumento pela interiorana meio deslumbrada com a cidade grande. O título não poderia ser mais adequado.

É no nada, ou nas palavras não ditas, que está o encantamento da narrativa.

"Nada"Autor: Carmen Laforet
Tradução: Rubia Prates Goldoni
Editora: Alfaguara/Objetiva
Preço: R$ 40,00

O camarada Menezes y Moraes



Emerson Araújo

Sou obrigado mais uma vez a discordar do meu bom irmão e amigo kenard Kruel quando classifica o jornalista, escritor e ativista cultural Menezes y Moraes de socialista.

Menezes y Moraes não é e nunca foi socialista. Ele tem sido ao longo da sua existência um profundo marxista que reformulou as ortodoxias desta ideologia para ir mais além ou mais ali.

Lembro-me da convivência pessoal quase diária que mantive com Menezes y Moraes nos primórdios dos anos oitenta aqui em Teresina. E olha foi um exercício de convivência fraternal das melhores que mantive aqui na província. Um aprendizado dos melhores, também.

Não sou muito de memória, mas Menezes y Moraes fora meu professor de Redação no antigo Colégio Cipreve em 1977. Acho que foi a primeira pessoa a ler um texto de minha autoria e apresentar algumas sugestões, algumas sacadas legais para quem queria ser escritor já na escola. Com certeza ele não vai se lembrar disso.

Outra coisa que veio a memória sobre Menezes y Moraes, ainda, no Colégio Cipreve no primeiro contato de sala de aula de cursinho ele me causou vários impactos e suspiros nas meninas, também. A mim pelo jeito desbocado de hippie, cabelos ao vento, bolsa tira-colo, calça jeans desbotada, sandália de couro cru, camisa de mangas longas branca e um intenso odor de almiscar invadindo e às meninas pelo porte atlético e o perfil de índio com a flecha nas mãos. Nunca tinha tido um professor assim na vida. Apesar de estranho, achei tremendo aquela postura quebrando convenções.

Mas Menezes y Moraes passou a ser parte de minha vida quando me foi apresentado pelos poetas F. Eduardo Lopes e William Melo Soares quando publiquei o opúsculo Vendedor de Picolé (não renego meu primeiro exercício poético) em 1979. Foi a partir daí que passamos a conviver diariamente em todas as baladas literárias e políticas de então. Aqui quero deixar dito também para M. de Moura Filho que o Menezes y Moraes nunca se empolgou com o PT, nunca se filiou a ele, pois o desejo pessoal era se filiar ao partidão (PCB). Não sei se ele fez isso depois.

Ideologias a parte e opção partidária, também, quero me deter apenas no homem, intelectual e amigo fraterno que me ensinou a ver poesia como trabalho de linguagem, nascida da leitura cotidiana de grandes nomes da literatura universal e brasileira como Erza Pound, T. S. Eliot, Garcia Lorca, Sartre, Brecht, Pablo Neruda, Jean Genet, Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari, Mario Chamie, Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Gregório de Matos, Mário de Andrade e outros. Biblioteca pessoal farta de livros e discoteca das melhores para se ouvir Jorge Mautner, João Nogueira, Cartola, Elomar Figueira de Melo, Beatles, Jimi Hendrix, Janis Joplin e tantos e tantas a preencher a tarde de sábado entre goles de vinho Dom Bosco e papel de seda rolando de mão e mão. Tempo bom de criação e de exercício da liberdade que criamos nos quintais e nas ruas desertas de Teresina com ou sem a presença dos milicos da ditadura.

Recordações de lado, agora, vou apenas finalizar este lembrete voltando a dizer que Menezes y Moraes está acima das ideologias humanistas que o urso hibernador o nomeou. Ele sempre levou à prática o gesto mais profundo de fraternidade humana: a partilha, ação que nenhuma ideologia e seu respectivo autor colocaram em prática. Nesta condição somente ele continua sendo um dos melhores coração desta terra do Piauí

Participe!


Semana Torquato Neto

8 e 9 de novembro de 2008
Clube dos Diários - Teresina – Piauí

Promoção: Sindicato dos Escritores no Piauí.

Apoio: Sindicato dos Músicos do Piauí, Sindicato dos Jornalistas do Piauí, UBE-PI, APL, Fundação Nacional do Humor, UFPI, UESPI, IPOP, Prefeitura de Teresina, Governo do Estado (FUNDAC).

Programação:

Dia 8/11/2008 (Sábado):

- 17 horas - Exibição dos documentários:
- O Anjo Torto da Cultura Brasileira - Rogério Duarte.
- Torquato Neto - Terror da Vermelha - Isana Barbosa e Ramyro Leal

- 19 horas - Exibição dos filmes:

- Terror da Vermelha -
- Nosferato no Brasil - Ivan Cardoso.

- 21 horas - Show Literato Cantabili (de Claúdia Simone), com o lançamento do livro Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida, do jornalista Kenard Kruel. Local: Espaço Cultural Osório Júnior.
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Dia 9/11/2008 (Domingo):

- 17 horas - Documentários sobre Torquato Neto
- Torquato Neto – TV Meio Norte
- Torquato Neto – Câmara Municipal de São Paulo

18 horas - Mesa de Debate: Vida e Obra de Torquato Neto

- Participação: Noronha Filho, Claudete Dias, Arnaldo Albuquerque, Solda, Fifi Bezerra, Dr. Heli Nunes, Edwar Castelo Branco, Menezes Y Morais, Herondina Mendes, Durvalino Couto Filho, George Mendes, Aci Campelo e Emerson Araújo. Mediador: Kenard Kruel.

19:30 horas - Mesa de Debate: Geração 70 no Piauí.

- Participação: Airton Sampaio, Rubervan du Nascimento, Menezes Y Morais, Emerson Araújo, J. Luiz Rocha do Nascimento, Bezerra JP, M. de Moura Filho, Herculano Moraes, Francisco Miguel de Moura, Paulo Machado, Adriano Lobão, Graça Vilhena, Marleide Lins Albuquerque, Aci Campelo. Mediador: Kenard Kruel.

Cogito

Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

Cogito foi publicado no livro Os Últimos Dias de Paupéria, Livraria Eldorado Tijuca Ltda - Rio de Janeiro, 1973, e selecionado por Ítalo Moriconi para figurar no livro Os cem melhores poemas brasileiros do século, Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 269.

Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina (PI), no dia 9 de novembro de 1944. No início de 1960, transferiu-se para Salvador, onde foi contemporâneo de Gilberto Gil no colégio dos Irmãos Maristas, tornando-se amigo do compositor e conhecendo também os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia, além de Duda Machado, Álvaro Guimarães, TomZé, Gal Costa, Capinam, dentre outros nomes do primeiro time da MPB. Em janeiro de 1962 mudou-se para o Rio de Janeiro, começando seus estudos de Jornalismo, na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. Mesmo sem ter concluído o curso (abandonou-o no 2º ano), iniciou-se na profissão trabalhando em diversos jornais cariocas, tendo criado e redigido a coluna “Geléia Geral” no jornal carioca “Última Hora”.

Um dos mentores do movimento tropicalista, Torquato Neto é o autor de inúmeras letras de músicas de sucesso, como Mamãe, Coragem, Geléia Geral, Domingou, Louvação, Pra Dizer Adeus, Deus Vos Salve a Casa Santa, Ai de Mim, Copacabana, Minha Senhora, A Rua, Rancho da Rosa Encarnada, Chapada do Corisco e Marginália II.

No dia 10 de novembro de 1972, foi suicidado deixando o seguinte bilhete: (Trecho) “Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era guia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”.

Em 1973, ocorreu a publicação póstuma do livro Os Últimos Dias de Paupéria, organizado por Ana Maria Silva Duarte e Waly Salomão, com publicação pela Livraria Eldorado Tijuca Ltda - Rio de Janeiro. Livro que seria reeditado, em 1982, pela Max Limonad. Em 1976, alguns de seus poemas foram incluídos na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Em 1997, foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe Nothing the Sun Could Not Explain, organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher.

Conheça mais:

- Fifi Bezerra (A Escritura de Torquato Neto);
- Edwar Castelo Branco (Todos os dias de Paupéria: Torquato Neto e a invenção da Tropicália);
- Kenard Kruel (Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida);
- Toninho Vaz (Pra Mim Chega - a biografia de Torquato Neto).


É pra sacudir Teresina

Torquato Neto não é Álvares de Azevedo
Arte de Arnaldo Albuquerque

Emerson Araújo

Sem querer mexer no prazer de ninguém, pois ele é individual e deve ser respeitado sem patrulhismos, penas sugiro aos meus alunos, alunas, ex-alunos, ex-alunas, amigos e amigas a SEMANA TORQUATO NETO a ser realizada nos próximos dias 8 e 9 de Novembro de 2008 no Clube dos Diários aqui em Teresina.

Há muito tempo que Teresina tinha abandonado os eventos culturais para dar espaço a barulhada de banda de forró que não é forró e ao som tribal das micaretas que, por força da idade e da sensibilidade dos tímpanos ferida durante a vida de magistério, o abomino. Mas sou obrigado a respeitar quem gosta dos “felipões” e “mala sem alça” dos finais de semana das baladas pela diversidade dos prazeres dos outros. É questão de tolerância mesmo aceitar do MP3 do Jonas Filipe (meu caçula) uma aberração musical chamada “aviões do forró” mas fazer o quê? Dizem os mais antigos que os pais devem ser moderados em tudo. Pois acredito que devo ser para não perder as estribeiras.

Apesar de tanta tolerância e aceitação em nome do outro, agora tenho o direito de sugerir aquilo que faz bem aos ouvidos e ao espírito, portanto defendo com unhas e todos os dentes afiados os eventos culturais de Teresina que pensava que nas últimas décadas seriam mais intensos e que não foram. E dentro destes eventos cito aqui a SEMANA TORQUATO NETO coordenada pelo Kenard Kruel jornalista, escritor, pesquisador, professor e o próximo SALÃO INTERNACIONAL DO HUMOR DO PIAUÍ coordenado pelo Albert Piauí. Serão eventos que sacudirão a cidade e que as escolas, faculdades, universidades e o geral participem integralmente.

Quanto a mim, estarei revendo amigos deixados pelo caminho a 25 anos pelo exílio e a anulação, entre estes, meu generoso irmão Menezes y Moraes jornalista, escritor, ativista cultural. Um homem do Piauí que o Piauí o abandonou em Brasília. Precisamos incentivá-lo a ficar de vez aqui, pois o melhor lugar do mundo é aqui e agora?

Por fim, depois dos eventos é beber cajuína gelada e comer churrasco de carneiro e capote com arroz e poder conversar olho no olho com eles e elas. Quer coisa melhor do que isso? Eu não quero. Participem!

Poesia, pois é, poesia!

Foto sem crédito.

Meu Bom Doutor,

por Airton Sampaio

me-diz o Polidoro, de Zuza um dos netos, que o senhor não me-alue, que desatina meu contar, em pessoa minha veneranda descrê, mas mentiroso saiba eu não sou, o citadino respeite o sertanejo decano aqui, embrenhado nessas lonjuras desde a invenção do mundo. Ah, bem, nesse conforme fica mais bom, moço, por isso relevo, mas tento tome que Mão Sinistra domada ainda agora segue pela outra, a Destra, e se-sorria não em mangaria e ao velho aqui repita não isso nunca mais ao senhor peço, até encareço. Bom, assim é mais direito, nesse molde tudo entra nos corretos, nos estreitos, nos estribos, conselho entretanto dou jamais galhofe de novo o moço de matuto de cabelos de lã, que doutor de cidade ignora o estrupício de Esquerda Mão de homem quando da Direita se liberta e, desdominada, o avesso de Deus fica. Certo, já disse que adesculpo, vosmecê solicita reconsideração e eu defiro o pleito, porém não nunca bula mais não com o Demo, que Destino é quando menos se-espera o futuro invade o hoje da gente, então não desatine outra vez não pois quem no final das contas o moço que nem barba tem pensa que é pra desarrazoar estórias de tempos de antanho, do Avô do Avô do Avô? Pois não, pois sim, mas veja o sinhozinho que esse mundo é tudo muito misturado, o Bem no Mal, o Mal no Bem, entonce perscrute com o corpo, oiça com os olhos, olhe com os ouvidos, sinta com o pensar que hora há a de falar e a de calar, que tempo há o de plantar e o de colher, que dia há o de acordar e o de dormir, por isso se-eduque, se-atine, se-alue, conta se-dê que coelho tem orelha grande é pra não virar cenoura mais ligeiro, que cobra só se-achamega com outra de longe em longe por causa de que se se-enroscarem demorado de mais aves há, essas de rapina, bem aí no céu em espreita, e camaleão muda a cor pra despiste da sempre tocaiosa morte, não sabe disso não, o senhor? Ora, então se-assabedoreie mais, que se viver já por si perigoso é para que tornar mais arriscado o que periclitado, por desnaturada natureza, é? Claro, filho, de nada, se bem concluo adveio de extrema mocidade a imprudência essa a sua, mas mais se-cuide que na vida a morte pode ser besta de mais, como a do compadre Ciprião, por desvalia da mulher do pacato Mineu Medonho, que em revide de honra manchada lhe-retalhou como a um porco. Que, por estas bandas, nestes distantes, ainda inteiriça é a Lei e os artigos dela vigem todos, mas doutor promotor vossa mão em paz estendida com gosto aperto e abraço de boas-vindas lhe-dou a nossa antiga Catolé das Matracas, aconchego e auguro boas-cheganças, mas beber olhe, doutor, não beba assim, pelo menos não igual ao juiz Liminha, homem bom porém do Frege da Nhá Preta contumaz se-pode dizer ficou desde a morte da mulher, na Capital, de doença tão feia que nome nem dizer se-deve a gente, que seguro morreu foi de velho, viu, doutor promotor agora aqui chegado e sem

Desacelerando, estou de volta

8 e 9/11/2008 - Clube dos Diários. Arte by Solda.

Emerson Araújo

Estive ausente do blog por uns três dias por uma boa causa que alguns sabem e a grande maioria não. Mas estou de volta. Continuo sem secretos sapatos e nenhum segredo estratégico. Neste intervalo o país viveu outra comoção trágica e a imprensa sem criatividade dando holofotes ao facínora e entregando a vítima para o matadouro. Surrealismo latino posto na mesa com cardápio de papel de segunda.

Estou de volta mesmo e nesta semana que se inicia tenho tarefas para concretizar e muitas contas para pagar. Sou um homem que atravessou maresias e tormentas na noite, tudo, agora, voltando ao equilíbrio, eu penso e que este pensar não seja torto e nem de linha reta.

Nesta volta, também, continuo acreditando em algumas verdades oferecidas de cara e sem contestações. Uma delas: os tarântulas são os poetas preferidos da tristeteresina, hoje, apesar da fala contrária do contista, ou melhor do poeta M. de Moura Filho que tem decretado morte a poesia. Meu Deus, que heresia! A poesia é mãe de todas as artes, parafraseando Torquato Neto (gente, não esqueça da SEMANA TORQUATO NETO nos dias 8 e 9 de novembro próximo, no Clube dos Diários).

Bem, a poesia não morre, pois se morresse morreria também o conto e as ferramentas artísticas humanas em geral. Portanto, a poesia é forte e nesta condição de segurar a barra das outras artes ela é eterna e sem limites. Ela é escudo e flecha de arqueiro acertando a pupila do olho de tantos dragões e Golias que nos querem comer sem creme de leite e passas da melhor safra.

Poesia neles! Ou então “poesia, pois é, poesia”! Motes da expressão mais antiga da literatura ofertando ao mundo e a tristeteresina que não existe fato sem poesia e nem conto ou contista capazes de mover a poesia linda dos corações humanos e humanas, também. Estou de volta.

Tá difícil viver sem você!

Aurora. Foto sem crédito.

Para Manuel de Moura Filho e Kenard Kruel

Emerson Araújo

Depois de uma longa luta de resistência contra o óbvio que não é mais ululante, resolvi doar as duas faces para a platéia.

Estou aqui sem segredos intermináveis, estou aqui, reafirmo, sem secretos sapatos, sem nenhuma vontade palpável a não ser que a aurora que teima em não surgir, chegue logo e me deixe de lado.

É, ando meio lentão mesmo esta semana, diferente da anterior onde cuidei das asas do colibri azul e me fartei de sonhos e estrelas sobre um mar de odor silvestre onde me fiz navio sem âncora e porto seguro.

Mas neste momento sei que vencer esta madrugada em silêncio é impossível ou quase isso apesar da frase extensa que busquei no sótão, armazenada em mim. Também não adianta me debelar contra a poesia, pois ela está posta na janela de vitral deste quarto, sombras na escuridão da tristeresina que, ainda, acredito ser minha.

Novamente afirmo, calma violência, Manuel de Moura Filho e Kenard Kruel são paladinos da mesma causa e assinarão o tal acordo de convivência pacífica, agora em nome de Imagine emblema atemporal de John Lennon sobre o piano. Depois que venham sapucaias, sapotis e os oitis bicados pelas andorinhas da praça, saraiva de todos e todas.

A platéia agora sai de fininho diante das duas faces doadas e o colibri volta a invadir o pulsar acelerado deste coração, desta batalha pela dúvida e pela agonia intensas.

A aurora borbulha lentamente e a cidade se enerva para um novo, qualquer novo.

Estou pronto neste quarto escuro de Teresina. Aguardo a vitória ou a derrota, sou um homem a mercês, sou um homem que simplesmente baixa todas as guardas, todas as bandeiras e diz:- tá difícil viver sem você!

Em nome de Deus!


Foto: Patrícia Basquiat
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Emerson Araújo

Dou as duas mãos à palmatória. Sou obrigado a intervir de novo entre um chacal que uiva sob a tutela do rock e do meu quinto sentimento (Fluminense Futebol Clube) e um urso hibernador que na tocaia do vila tropical vai recebendo em festa as gatas da noite, do dia, as gatas e vai contabilizando, também, a direita PTista em seu blog.

Devo dizer ao chacal, primeiramente, que também sou PTista ainda, não este PT que está no poder, mas outro que resenhei em utopia na década de oitenta e que um dia voltará. Quero lembrar ao urso do vila tropical que da mesma forma que ele, eu fui, também, penalizado pela cúpula da SEDUC-PI a quem sempre combati na instância partidária quando da militância ativa por vislumbrar sorrateiramente já naquele tempo uma terceira via para o PT em construção, que não era minha via, que não era via. A prova cabal está aí na ordem das repartições públicas estaduais.

Mas deixemos as justificativas ideológico-partidárias ao lado e vamos logo ao que interessa aqui e agora: PATRÍCIA BASQUIAT.

Quero comunicar ao urso que tive o privilégio de colocar os olhos na arte desta negra lindona, visitando o blog do chacal do rock/tricolor numa manhã, precisava de uma foto do Arnaldo Albuquerque, meu amigo/meu irmão generoso da Punaré nas manhãs/tardes/noites desta tristeresina na década de oitenta e me deparei com a foto dele feita com maestria por Patrícia Basquiat e aí fui adentrando no blog dela e vi que a moça tinha uma sensibilidade imagética que fazia inveja a qualquer “esse aí” do Piauí.

Assim, meu urso, como você, devo isso ao chacal, ou seja, a descoberta de fotos de semântica forte clicada por mãos e olhar de artista que foi posta na grande rede para que nós a visitássemos sempre, sempre. E por falar no chacal, ainda, há três ou quatro coisas que nos une: o Fluzão querido, o cinema de arte ou cult (adoro os filmes spaghetti’s italianos), o rock in rol das décadas de 70/80 que Janis Joplin o diga, Emerson, Like and Palmer, também. A literatura de todos os matizes e os rostos lindos das mulheres chinesas que trafegam em seu blog de vez em quando. Gosto deste chacal pra caramba, como adoro você também, meu urso solidário, ele é, também, o tarântula mais teen que eu conheço. Por isso apresentar o J.L Rocha do Nascimento sendo clicado e bem acompanhado em evento de rock está perdoado.

Urso, deixa a tua filinha Renata Pitta se divertir e sair clicando por aí. Por falar nisso, meu caro urso, a próxima vez que eu for aí à Kenard Kaverna quero ser clicado por ela ao lado do meu colibri azul.

Por fim, chacal e urso vamos, agora, selar um acordo EM NOME DE DEUS, acordo de convivência e tolerância nestes tempos que já antecede o natal/ano novo/carnaval/páscoa/dia dos namorados, pois precisamos estar unos para estes eventos todos, no Sariema ou em lugar que não seja no diretório estadual do PT. Tenho dito!


Meu caro Tarântula M. de Moura Filho:

Foto: PATRÍCIA BASQUIAT
Kenard Kruel

1) O professor A. Tito Filho, que mandou na Academia Piauiense de Letras por décadas, por diversas vezes insistiu para que eu e o Albert Piauí entrásssemos na Casa de Lucídio Freitas. Para tanto, bastava apenas assinar ficha de inscrição. Nem eu nem ele caimos no canto da sereia. Após a morte do professor A. Tito Filho, outros presidentes em fizeram igual convite, sem exitosidade (tem isso?). O Herculano Moraes, que sonha ser presidente da Academia Piauiense de Letras, e acha que agora tem votos suficientes para isso, pretende substituir o des. Manfredi Cerqueira no próximo pleito. De já, disse que iria trabalhar para tivesse assento oficial naquela instituição. Só espero que não seja na vaga dele, que o quero vida longa, por ser do meu gostar e profundo bem querer. E isso me faz lembrar que o presidente Getúlio Vargas, querendo entrar na Academia Brasileira de Letras, foi até lá, ouvindo do presidente Austregésilo de Athayde que todas as 40 cadeiras estavam devidamente preenchidas. Cassiano Ricardo, dizem, disse: não se preocupem, senhores presidentes, eu me mato. Não sei se por morte deste, mas Getúlio Vargas tornou-se o terceiro ocupante da Cadeira 37, eleito a 7 de agosto de 1941 e recebido pelo Acadêmico Ataulfo de Paiva a 29 de dezembro de 1943.

2) Sou um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Esquecido, hoje, pelos que estão no poder, no momento. Eles mandam, hoje, mas amanhã será outro dia. Vai passar, sem deixar saudade! No início do governo Wellington Dias (que não é do PT), servidor há quase 30 anos da Fundação Cultural do Piauí (graças à generosidade do José Elias Martins Arêa Leão, que me indicou ao cargo de assessor de comunicação social, e à coragem do professor Wilson de Andrade Brandão, secretário da Cultura que me empregou ali), tive, pela Sônia Terra, presidente da Fundac, até mesmo o mesmo salário confiscado. E o aviso que, em sua gestão (que se repete), eu não teria função alguma naquela casa, por ter sido diretor da Biblioteca Pública Estadual Des. Cromwell de Carvalho no segundo governo Hugo Napoleão, do PFL, que virou DEM. Num passe de mágico, os deputados estaduais Fernando Monteiro e Leal Jr, figuras de proa deste governo (que não é do PT), antes nossos algozes viraram, no momento, amigos do peito do governador Wellington Dias (que não é do PT) e, por extensão, da Sônia Terra. Resultado: Derrota mais uma vez do candidato do partido à prefeitura de Teresíndia (eleição de poucos prefeitos no interior do Estado) e a eleição de apenas dois vereadores para a Câmara de Teresíndia (e de poucos vereadores para as Câmaras do Interior do Estado). E isso porque o Wellington Dias está no poder. Nas próximas eleições o PT será varrido do mapa. E a ele dificilmente retornará. E eu continuarei sendo petista. Eles, que estão no poder, no momento, são Currupiões dentro do Palácio de Karnak. O Currupião é pássaro que não faz ninho, espera um outro pássaro fazê-lo para tomá-lo depois. É isso que está acontecendo nas administrações Lula e Wellington Dias. Ainda sou partidário. Votei na Rosário Bezerra, para vereadora de Teresina. Não votei no Nazareno Fonteles. Fi-lo porque qui-lo em Gervásio Santos, meu irmão, que concorreu ao cargo de vice-prefeito pelo PSTU, do qual ele é presidente regional no Piauí. Acima do partidário, sou família demais, como o Caetano Veloso (ou não!). Espero da Rosário Bezerra uma grande gestão, notadamente dedicado-se às letras e às artes. Apesar de você ser do contra, caro Tarântula M. de Moura Filho, vou continuar, sim, postando figuras do PT aqui, como vocêirá continuar postandos seus roqueiros e os seus jogadores de futebol. Eu, pelo menos, não envolve ninguém nas minhas postagens petistas, mas você, figura má, levando o meu amigo Tarântula J. L. Rocha do Nascimento para o mal caminho, é revoltante. Sou homem de palavra, você está perdoado pelo resto do mês, sim, porém voltará ao inferno astral no primeiro dia do mês seguinte por ter levado meu amigo Tarântula J. L. Rocha do Nascimento para o Teresina Pop, em agosto. E, para sacanear de vez comigo, ainda o posta sorridente em seu cruel blog. Affe! PS: Com relação à Renata Pitta, Deus tenha piedade dela! É outra perdida no mundo do rock. Isso prova que os pais são sempre cegos com relação aos filhos.

3) Não conhecia mesmo a Patrícia Basquiat. Morro e não conheço todas! Não me toquei em seu blog e nem no blog do Solda. Tem uma justificativa, estou comendo sapucaia demais. Quem sabe...! Comprei uma bíblia, quem sabe a conheça pessoalmente. Deus seja louvado! Amém!



Findo o inferno zodiacal

Foto: Patrícia Basquiat

M. de Moura Filho

E eu que pensei que o meu inferno zodiacal somente teria fim no princípio da próxima semana. Que nada! Findou ontem, com o Kenard Kruel me perdoando, pelo resto do mês. E apenas porque fi-lo - sem intenção -, conhecer o blog de Patrícia Basquiat. Posso, suponho, publicar postagens a respeito de rock e sobre do meu Fluminense Futebol Clube e não o azedarei tão cedo, como confessa. Tenho que admitir, sem pudor: entre nós dois, a generosidade está mais comigo. Afinal, Kenard Kruel sabe que tenho aversões ao PT e às academias de Letras. E o que faz? Enche seu blog com figuras petistas e com biografias de acadêmicos, e eu não digo nada, apenas visito-o diariamente, várias vezes. A relação com os acadêmicos eu compreendo: tá pavimentado o seu caminho ao Mausoléu, quer dizer, ao Sodalício... Resta-me compreender essa fixação por figuras do PT.

Por outro lado, tenho me perguntado: como é possível Kenard Kruel não conhecer Patrícia Basquiat? Nem falo por seu talento como fotógrafa, autora de blog, residindo em Teresina, já que bem informado é o Kruel. Outra postagem, extraída do blog de Patrícia Basquiat, inseri em meu blog, em setembro, 28, reproduzindo até mesmo o título: arnaldo albuquerque / cineasta / teresina, com a mesma fotografia gravada também no blog de Emerson Araújo, ilustrando a postagem Meu recadinho para Arnaldo Albuquerque. O blog de Patrícia Basquiat é referido, em listas de preferidos ou visitados, por exemplo, no Vida Noves Fora, no blog do Emerson Araújo e no Solda Cáustico - Solda, somente neste mês, apontou-o como o blog da hora, e reproduziu duas fotos de Basquiat. São blogs, eu sei, que o Kruel visita. Como não percebeu a fotógrafa?

De qualquer forma, vale (a) a recomendação de Kenard Kruel para que se faça uma visita ao blog de Patrícia Basquiat, e (b) a constatação de que não vê no meu blog apenas roqueiros e jogadores de futebol. Que bom!

PAULO FREIRE VIVE!

Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE - e um dos maiores de toda a história da humanidade -, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas, camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoarpessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no nº 2074, de 20/8/2008, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que,certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitaspelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedadebrasileira atual.

Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam àmesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção dapobreza, mas, sobretudo pelo trabalho de meu marido – no qual estapolítica de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela.

Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a máapreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dãocontinuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cataàs bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homemhumilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil.

Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!.


São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire.

HaiKai


TEXTO: Emerson Araújo FOTO: PATRÍCIA BASQUIAT



É por ela e outras
Que me fiz educação a vida toda
A noite toda
Entre mistérios
Em todos os magistérios.

Os “cliques” de Patrícia Basquiat




Emerson Araújo

Há vários dias que não me detenho sobre a escrita longa no meu blog legal. Apenas alguns comentários curtos e dois poemas que não foram publicados pelos outros blog’s que visito a cada manhã. Estou roendo a corda como diria Jonas Filipe (meu caçula). Mas fazer o quê? Continuar garimpando estrelas e juntar pedaços de vidros nas calçadas desta tristeteresina de trânsito/tráfego insuportável em todas as horas para receber o meu colibri azul, logo, logo.

Enquanto espero vitorioso vou refletindo sobre Patrícia Basquiat a quem eu conheci no blog do tarântula (aviso a meu irmão Kenard Kruel que não sou neo/sou new) M. de Moura Filho e gostei do que eu vi no blog desta fotógrafa sensível e de olhar “poli” sobre as imagens do cotidiano e das naturezas vivas humanas ou não.

Diz-se que os fotógrafos são melhores poetas do que os outros poetas, pois garimpam imagens/ângulos sempre em movimento, enquanto aqueles burilam/sofrem por uma palavrinha que às vezes nem é. Mas deixemos de conversa fiada/enrolação e discorremos sobre Patrícia Basquiat que faz da fotografia seu exercício de arte e de olhar que saca as nuances da vida e da morte veladas em preto e branco e a cores. É isso que se percebe nos flagrantes de imagens postas no blog da fotógrafa que atendeu a indicação pós-moderna de uma câmera digital na mão e vários olhares na cabeça por aí.

Depois destas poucas reflexões páro, pois o coração voltou a palpitar de saudade do colibri azul que hoje passa por uma prova de fogo e reconheço, ainda, ando meio lentão, ultimamente. O que me anima é vislumbrar as imagens de Patrícia Basquiat em seqüência no http://patriciabasquiat.blogspot.com/ e continuar deglutindo Palpite na voz rouca e tarantular de Ana Carolina.

Emerson Araújo é professor.

Espadas e bandolins


PARA KENARD KRUEL E ADRIANO LOBÃO

Emerson Araújo

Estendi uma pétala de carola sob a névoa desta noite
E a cidade foi se abrindo lentamente entre abraços e mistérios
Eis que surgiu uma tarefa ardente
Um querer plural sobre todos os aromas
Em ponto final.

Mas a canção continuou a barulhar o encanto
E a melhor palavra foi burilada por uma espada espargida
Na sombra do quintal ou nas varandas da rede
Em águas espelhadas do rio interior.

Surgiu o cantor no umbral a dedilhar uma música ao vento
Um vocábulo doce uma vontade de encontrar o melhor acorde
Agora no bandolim emprestado
Eis que canção e sonho também
São lenços de estrada
Puro carmesim.

ENGANA-ME QUE EU GOSTO!

BRASIL 4 X 0 VENEZUELA

as capas os discos

Imagem: Google

adriano lobão aragão

ontem eu vi o disco da vaca à venda na galeria
onde há muito naqueles campos estranhos me perdi
entre os riscos do vinil motocicleta e sinfonia

ontem eu vi um velho em um quadro carregando lenha
adornando em parede destroçada a capa de um álbum
e a iluminada escuridão de um dirigível de chumbo

ontem eu vi o álbum branco que depois de muitos anos
pude perceber as matizes dispersas de suas cores
e seu discreto nome de besouro impresso em relevo

mas há muito dispostos em silêncio seus sons evocam
sonora imagem retida na retina da memória

ELA, O MENINO E AS AVENTURAS DE TARZAN

Imagem: Google

Dedico essa narrativa nada semiótica aos contistas Airton Sampaio, Bezerra JP e M. de Moura Filho; aos poetas F. Wilson e Emerson Araújo.

Por J. L. Rocha do Nascimento

Ali, no cruzamento da Paissandu com a João Cabral, Violeta, a espanhola, que se perdeu cedo na vida, era a maior atração. Conta-se que o próprio pai cuidou de deixá-la na porta do bordel somente com a roupa do corpo e sangrando. Tinha os lábios carnudos e olhos de Capitu. Diariamente, ao entardecer, insinuava-se sobre o parapeito da janela, à mostra os seios fartos e ainda duros. Especialidade: garotos imberbes e sequiosos. Fama: um bezerro nas entranhas.

Na outra esquina, um bar. Ali, toda manhã, um menino e uma rotina: abrir o estabelecimento e remover os resíduos da noite: tampinhas de garrafa, tocos de cigarro, estilhaços de vidro, algumas desilusões... Feita a faxina, era só aguardar o pai, por volta do meio-dia. Enquanto isso, a distração: ouvir discos de Jovem Guarda e ler revistas em quadrinhos.

Certo dia, sentado por detrás de uma pequena mesa, lia as aventuras de Tarzan, o Rei da Selva. À frente, sobre a mesinha, uma montanha de vinis, dois pacotes lacrados de cigarro Continental com filtro, uma carteira aberta para venda a retalho e um maço de fósforos Fiat Lux.

Ligou a radiola, colocou o braço na segunda faixa do lado b e sobre ele equilibrou uma caixinha de fósforo. Aumentou o volume e deu passagem a Evaldo Braga, que explodia os pulmões.

De repente, antes que Tarzan lançasse a lança certeira sobre o peito do leopardo, um cheiro forte de Água de Colônia e desodorante Mistral anunciou a chegada de Violeta, lépida e faceira. Sobre os lábios carnudos, uma camada de batom vermelho carmim, e nas unhas o esmalte, no mesmo tom, contrastava com o encardido na ponta dos dedos da mão direita.

Lentamente, ela pousou os braços nus sobre a mesa, o que deixou agitado o coração do menino. Aqueles peitos grandes, a um palmo do nariz, o fizeram perder a respiração. Tomou-lhe o Almanaque nº 54 do Homem-Macaco, recuou dois passos, levantou o vestido com uma das mãos, deixando-o à altura do umbiguinho; com a outra, enfiou a revista dentro da calcinha, acomodando-a entre as pernas. Por alguns instantes, flexionou a musculatura dos quadris e movimentou-se rapidamente para frente e para trás, para frente e para trás, tempo necessário para ele perceber que Tarzan, estranhamente, enquanto sumia de seu campo de visão, não demonstrava muito esforço em escapar do bote que, manhosa, lhe preparava a aranha peçonhenta.

Boquiaberto com a cena, ficou a imaginar que golpe iria o herói aplicar para vencer mais aquela batalha. Não obteve a resposta. É que ela, de supetão, interrompeu a coreografia, avançou os dois passos que antes recuara e soltou a barra do vestido, que ficou rente com a covinha dos joelhos. Ele, aflito, não parava de pensar no herói embrenhado no coração daquela selva cheia de armadilhas. O que fazer? Desvencilhar-se das teias da tarântula e se refugiar ao pé do vestíbulo da gruta seria a melhor saída, pensou ele, como que querendo adivinhar a próxima seqüência da trama. E ela? Precipitou-se sobre o maço aberto de cigarro, de onde retirou um. Sem pressa, fitou-o de forma desafiadora, com os olhos oblíquos e esbraseados, então se aproximou um pouco mais, agachou-se, envolveu firmemente o cigarro entre os dedos e o acendeu e o colocou suave entre os lábios e, lembrando Gilda, abocanhando-o, deu uma longa tragada. Subitamente, deixando a marca do batom no filtro, afastou da boca o cigarro, sem descuidar de manter, envolvendo-o novamente entre os dedos da mão, acesa a brasa tremulante. Foi quando, com a mesma boca generosa, deu-lhe um beijo tórrido.

Não esboçou ele qualquer reação. O hálito quente, misto de cerveja da noite passada e cigarro, incendiou-lhe a boca e o corpo. Aproveitando-se daquele estado de aparente letargia, ela cobriu-lhe o rosto com bafoeiradas de fumaça e, bem de perto, fazendo beiço, disse:

- Não demora muito, é só crescer mais um pouco e eu quebro esse cabresto!

E assim, tão rápida como chegou, Violeta saiu, mexendo as cadeiras, ao som de Sorria, meu bem. Ao cruzar a porta, olhou para trás e, mais uma vez provocante, o gesto obsceno antecipou o que pretendia fazer. E antes de descer a calçada e atravessar a rua, sacou de dentro da calcinha o Almanaque nº 54 e o arremessou um Tarzan amarrotado e quase sem fôlego. Imóvel, ele. Mas quando percebeu que, apesar de tudo, o Rei das Selvas estava livre de qualquer perigo, molhou os lábios, recusando-se, contudo, a engolir a saliva. Queria apreciar por mais algum tempo o sabor agridoce do beijo, a rótula daquele joelho, o umbiguinho redondo, a marca da vacina na altura do ombro esquerdo, a essência saturada do desodorante vagabundo, o olhar de pidona... Em transe, nem percebeu que o disco parou de rodar e o braço automático da radiola retornara à posição de descanso. Tentou retomar a leitura a partir da página 69, mas não conseguia ler o que estava escrito nos balões nem acompanhar os passos de Tarzan, que agora saía em busca da trilha para a Cidade Perdida, em companhia de um guerreiro zulu.

Antes, haveria de localizar o cemitério dos elefantes e decifrar o enigma dos pigmeus das montanhas, o que lhe daria a imunidade necessária para vencer a etapa seguinte do desafio: cruzar o desfiladeiro da morte. Mas o pior estava por vir. Ao final do desfiladeiro, Tarzan e seu guia deparariam o rio das cobras, de passagem obrigatória, sem saber que na outra margem um grupo de selvagens africanos armados de arcos e flechas, estas venenosas, o espreitava. Mal chegaram em terra, os primitivos, rufando tambores e entoando cantos de guerra, avançaram, o feiticeiro à frente, em direção do Lorde de Greystoke.

Nesse momento, o menino despertou aos gritos do Rei dos Macacos, que esmurrava o peito e bradava, em tom de advertência: Krig-ha, bandolo!

Eu nunca gostei "desse aí, Airton Sampaio!



Emerson Araújo

Este Affonso Romano de Sant"anna não perde a estribeira mesmo não.

Primeiro ele precisa saber que a literatura piauiense pode muito bem viver sem qualquer rapaz e que ele Affonso só é lembrado ainda por aqui por meia dúzia de professores do Departamento de Letras da UFPI que sempre estiveram no contraponto, contravanguarda, contratudo.

Airton, meu caro, este departamento de Letras continua sob a égide do nada.

No nosso tempo a gente derrubava as muralhas conservadoras de Dona Maria Figueiredo e companhia como aluno.

E os novos alunos? Eles precisam ser vanguarda de si e dos outros.

É isso que o curso de Letras sempre foi aí na década de 80 na UFPI, vanguarda, pau de dar em doido conservador.

Morte aos admiradores de Romano de Sant'anna, morte a "esse rapaz aí".

Tenho dito!

MEU RECADINHO BÁSICO PARA ARNALDO ALBUQUERQUE

ARNALDO ALBUQUERQUE
FOTO: PATRÍCIA BASQUIAT

Eu já tinha falado que a imprensa marrom do Piauí tinha piorado, Arnaldo, nos últimos anos. Mas ninguém ouve mais ninguém nesta província.

Por isso, que dizem que sou azedo naquilo que falo e não acredito.

Entre estas coisas, cito, recito, procito que as Faculdades Particulares de Teresina/Piauí vão parar na lixeira como os milhares de colégios particulares que se instalaram nos bairros e esquinas desta tristeteresina nas décadas de 80/90.

É questão de tempo para vermos que alho não pode ser trocado por bugalho e que nem jornalista militante/escritor por nada de jornalista/doutor, bacharéis, tetaréís destes engodos de educação que tomaram o lugar das garapeiras desta capital/capitula.


Onde estão os novos poetas?

POETISA MARIANA IANELLI
FOTO: REVISTA BRAVO

Sem conseguir figurar entre os nomes de grandes editoras, muitos dos jovens autores de poesia encontram abrigo na internet e em pequenas casas editorias. Essa nova geração parece enfrentar o mesmo problema das anteriores: ter de trilhar caminhos alternativos para divulgar sua arte


Por Sheyla Miranda


Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, mestres da poesia brasileira e nomes-chave do movimento modernista, são apostas editoriais até hoje. Para o final deste ano, por exemplo, a editora Record projeta uma reunião de poemas sobre o Natal e a época de fim de ano assinados por Drummond. Segundo a diretora da Record, Luciana Villas Boas, investir em uma obra de Drummond é um ótimo negócio editorial, porque vende. E muito. Mas, no que se refere à edição de poetas inéditos, o cenário não é tão favorável: "O livro de poesia dificilmente vende quantidades expressivas, a ponto de justificar a publicação. Colocar no mercado nomes desconhecidos é praticamente impossível do ponto de vista econômico", explica Luciana.

De que modo se organizam, então, os novos poetas? Em parte, como faziam na década de 1970 e até mesmo antes, quando autores iniciantes trabalhavam em edições caseiras, que eram enviadas às editoras ou vendidas de porta em porta. Alguns autores contemporâneos persistem na auto-edição, mas a maioria migrou para empresas de pequeno porte, que se proliferaram nos início dos anos 80 e hoje são pólos fundamentais de divulgação do trabalho dos poetas.

Mariana Ianelli, poeta paulistana que publicou o primeiro livro em 1999, aos 20 anos, é exemplo desse movimento. Vencedora do Prêmio da Fundação Bunge para Poesia 2008 e considerada uma das mais talentosas escritoras da nova geração, a autora publicou seus cinco livros pela Iluminuras. "Tive o privilégio de apresentar meu livro a um editor que confiou no meu trabalho sem a prerrogativa do 'sucesso de venda', ou seja, alguém que apostou na poesia, independentemente do seu êxito ou fracasso comercial", relata Mariana.

Para ela, a importância dessas pequenas editoras para poetas iniciantes é indiscutível, já que muitos nomes publicados pela Iluminuras ou pela carioca 7Letras foram mais tarde encampados por empresas de maiores, quando se tornaram conhecidos do público. Frederico Barbosa, poeta, editor de livros e diretor do centro cultural Casa das Rosas, de São Paulo, também destaca a importância dessas casas, mas levanta a seguinte questão: "Ainda hoje, mais de 80% dos livros de poesia publicados são financiados pelo próprio autor. Algumas editoras até publicam, mas quem paga o investimento é o poeta. Isso é um grande mal, porque gera um problema de distribuição. A editora, que não financiou a obra, não paga para que seja distribuída".

Em alternativa a esse quadro, tanto Frederico quanto Mariana apontam a internet como o principal caminho para que os poetas levem a público suas criações. "A internet pode suprir o descrédito por parte das grandes editoras. Para quem está começando, talvez seja mais do que uma simples estratégia de veiculação, já que facilita o debate, a troca de impressões", opina Mariana. Para Frederico, há tempos a rede se tornou, de longe, a melhor forma de divulgar poesia. "É um ambiente democrático tanto para quem quer mostrar seu trabalho quanto para os que estão interessados em poesia".

Mesmo com o grande alcance dos blogs e das revistas eletrônicas, alguns escritores consideram imprescindível que seu poema seja impresso. Citada por Mariana, a poeta Débora Tavares, que mantém uma página há anos, nunca conseguiu reunir seus poemas em uma publicação tradicional. É também o caso da poeta Valéria Tarelho, uma escritora " impressionante, dessa leva de poetas que usam a internet como meio de divulgação", conta Frederico, que descobriu a autora navegando pela rede. A internet funciona, portanto, como mais um recurso para que as carreiras dos jovens poetas continuem a ser construídas como no passado: por vias alternativas, à margem do grande mercado editorial.

Poema de outubro

Imagem: Google

Emerson Araújo

Para Airton Sampaio de Araújo, Manuel de Moura Filho, João Luiz Rocha do Nascimento, Bezerra JP, Fifi Bezerra, Jacinto Teles e Márcia Mascarenhas.

O poema ainda é meu grande desafio
A minha melódica contrapartida
Nesta sigla posta entre castiçais
E dédalos generosos.

Por isso preciso vencê-lo
Antes da madrugada finda
Antes do antes
De tantos medos depositados
Sobre o rumorejo
E o labirinto dentro de mim.

Mas o que fazer diante do desafio
Pois não tenho mais a lua do cenário
Nem a iluminação do olhar que apontava
Silêncio e gemido
Lágrima e sopro
Em papel de seda
E pluma de algodão.

Agora o meu grande desafio
Não tem reabilitado nenhum perdão
Nem me ofertado cálice de vinho tinto
E tudo é barulho imaginário
Ponta de estrela sobre a barranca dos rios
No cais subjetivo de outras festas

Mas preciso vencer o desafio de indicar o sonho
Na face da dura palavra
Na seiva que escorrega depois da exaustão
E o sonho, ah, o sonho que antecede o perfume
Será entregue com pompa e ternura
Neste aço da letra vulnerável
Neste sentimento turbinado de coração.