O meu quinto sentimento




Agora é a vez da crônica. Da crônica que amanhece o dia reabilitando a noite de uma nova sinfonia. Na quebra do complexo de vira-lata como diria Nelson Rodrigues para se tornar mais uma vez tricolor de todos os corações, de todas as nações. Mas deve ser assim, crônica e noite em taça de cristal, sorvendo o pó das três cores, três escores sustentados na elasticidade de bailarino de Fernando Henrique (já disse o Fernando que não é pífio) e nas artimanhas de várzea em Dodô. E o velho/novo Mário Filho se rendendo, derretendo-se em emoções e rumorejos de passarinhos sobre árvore de outro quintal.A noite de ontem não foi apenas de um tricolor solitário, mas foi, também, de anônimos, heterônimos e homônimos nos suspiros, na angústia das unhas sorvidas que antecederam o gol ofertado em bandeja de prata à metralhadora giratória Argentina por um centroavante que venceu a morte, as falhas imprevisíveis do coração.Nem mesmo a traição amena do zagueiro adversário tirou a centelha dos olhos da moça tricolor que se desesperou antes do tempo, antes da tática guerrilheira dos rapazes deste fluzão, deste quinto sentimento.Porém, já estava determinado o batismo da vitória no gramado do Brasil e grato a todas as parcerias momentâneas de rubro-negros, botafoguenses, vascaínos, americanos e tantos outros tricolores, porque todos estavam sustentados na poesia subtraída dos pés dos meninos do Fluminense em plantão. Na nova festa do futebol nacional envolvido na bandeira desfraldada diante de terrenas batalhas.O quinto sentimento continuará posto novamente para inscrever uma página de orgulho, quebra do complexo de vira-lata para se comer a idéia de um time de futebol menor.

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