A CEPISA pede socorro



Emerson Araújo

Autorizada a funcionar pela Lei Estadual 1948/59 e constituída sociedade anônima em 1962 as Centrais Elétricas do Piauí S/A – CEPISA nasceram para ser mais uma agência de desenvolvimento sócio-econômico e para organizar o setor elétrico do Estado do Piauí.
Até o final da década de oitenta a CEPISA S/A procurou atender as demandas postas no cenário desenvolvimentista piauiense apesar das ingerências políticas de toda ordem na estrutura administrativa da empresa. Mesmo assim esta distribuidora de energia mantinha seu perfil regional e procurava dar soluções prementes ao modelo de avanço social e econômico planejado para o Estado do Piauí.
Sem querer menosprezar as ingerências políticas na gestão da CEPISA S/A a empresa ficou a mercês dos interesses individuais e de grupos econômicos com a conivência dos sucessivos governos oligarcas do Piauí, daí declinando dos seus objetivos iniciais. Há de se frisar, ainda, que a distribuidora de energia piauiense tornou-se para estes mesmos governos estaduais um “elefante branco” deficitário e sem motivação administrativa, portanto, agora, sem imunidade a todo tipo de aventura e experiências de gestão, ficando assim mais fácil para governos e políticos interesseiros do Piauí repassá-la ao poder público federal sem uma discussão ampla e plebicitária. Devemos lembrar que a CEPISA S/A sempre foi patrimônio público do Estado do Piauí, do povo do Piauí.
Federalizada a CEPISA deixou de ser empresa para o desenvolvimento estratégico do Estado para se tornar um escritório de distribuição de energia mal aparelhado e terceirizado em suas atividades essenciais abrindo, a passos largos, caminhos para sua privatização.
Ainda sob a égide da federalização a empresa de distribuição de energia do Piauí passou a ser gerenciada por um grupo de gestores tecnocratas da ELETROBRÁS que fora da realidade sócio-econômica do Estado acabaram aguçando mais os seus antigos e novos problemas. A CEPISA sob estas gestões equivocadas da ELETROBRÁS acabou servindo, também, para práticas da concussão e corrupção ativa destes gestores, agora, membros de quadrilhas especializadas em vilipendiar o patrimônio público. (Ver operação Navalha da Polícia Federal).
Outro aspecto de grande remonta que foi posto pela ELETROBRÁS diante das distribuidoras federalizadas e que merece a atenção de todos diz respeito aos objetivos centrais destas gestões caóticas dos seus tecnocratas de plantão, ou seja, inviabilizar cada vez mais a importância estratégica destas distribuidoras para o desenvolvimento regional e entregá-las ao capital privado como solução aparente dos problemas gerenciais agudos de cada uma delas, hoje. Deve-se lembrar que na lógica capitalista a empresa deficitária deve ser “varrida” do mercado, a empresa pública deficitária deve ser entregue a iniciativa privada como solução premente de todos os problemas financeiros e administrativos. É o Estado mínimo da doutrina neoliberal impondo suas ferramentas doutrinárias nas empresas públicas que sempre tiveram funções estratégicas de desenvolvimento para as comunidades que elas representam como é o caso da CEPISA.
É importante frisar que a presença do Sr. Decart e sua turma diante de uma estranha Diretoria de Distribuição da ELETROBRÁS é a reafirmação da continuidade do pedido de socorro das distribuidoras regionais do setor elétrico. Não haverá mudanças de gestão e nem de filosofia que melhore os desempenhos administrativos e financeiros das mesmas, é, na prática, a consolidação dos postulados do estado mínimo neoliberal querendo se ver livre do patrimônio público construído com os impostos recolhidos dos cidadãos ao longo da história a favor do desenvolvimento das demandas regionais.
Portanto, o Piauí e nem os piauienses podem ficar de braços cruzados diante da agonia final da CEPISA, cabe a todos, trabalhadores e trabalhadoras, sindicalistas, consumidores comuns, políticos não entreguistas e o povo deste Estado assumir a defesa intransigente desta distribuidora que, ao longo de décadas, serviu de instrumento para o desenvolvimento sustentável das comunidades pobres. Defender a CEPISA contra os agentes do neoliberalismo opressor tornou-se uma bandeira de luta cotidiana, intransigente, da garra da mulher e do homem piauienses. Será uma Nova Batalha do Jenipapo nos arredores da Praça da Costa e Silva a favor daquilo que estão querendo roubar de um povo sofrido.


(*) Emerson Araújo - é professor e consumidor da CEPISA.

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