A arte de Antônio Amaral



Dizem que amigos não deveriam escrever sobre amigos. Mas não acredito nesta premissa reducionista. Amigos devem escrever sobre amigos, sim, pois esta escritura tende a ser mais sincera, mais próxima, menos rebuscada, menos acadêmica mesma. Por isso me sinto livre para escrever sobre o artista Antônio Amaral, meu amigo, meu vizinho há quase 30 anos aqui neste bairro operário de Mocambinho, zona norte desta tristeteresina.
Conheci Amaral na militância artística/estudantil do final dos anos setenta. Ele no Parque Piauí e eu no bairro São Pedro: tempos de Acauã e da ditadura militar braba. Ele no desenho e eu na poesia: aprendizes de arte moderna por aqui. Depois amadurecemos: casamos, tivemos filhos e filhas.
Ele é avô de uma bela nina e eu esperando minha vez. Vidinhas simples a nossa, mas de uma criatividade memorável. Hoje pela manhã recebo deste meu amigo uma pérola. Este poema (ver no link imagens da semana a direita e acima), agora, ilustrado por ele me fez de novo acreditar que ainda sou poeta e esta condição ninguém pode mais tirar de mim. Nem dele como o melhor artista gráfico que eu conheço por estas bandas que não são largas para os artistas. O poema ilustrado estava hibernando há mais de uma década na casa do Comandante Amaral a espera do melhor traço e ele veio como uma asa de borboleta azul. Aliás Antônio Amaral tem alguns textos meus que eu não os tenho mais , ele sempre foi meu primeiro leitor, meu primeiro vizinho, meu primeiro amigo. Sempre generoso partilhava alguns trocados para que eu pudesse comer no restaurante da UFPI carne de búfalo e arroz cheio de bicarbonato de sódio. Fome Braba naquele tempo.
Hoje a fome é outra, mas os artistas são melhores. A prova disso está aí. Valeu Comandante. um beijão sempre. Tô feliz nesta sexta, nesta tristeteresina.

Um comentário:

amaral disse...

cmdt


sua poesia é anterior a isso aí
e sempre gostei dela
ilustrá-la me dá um imenso prazer.