Poemas, Canções, cantigas e outras criações do Emerson e amigos

Alegorias e maçãs I





Ponho uma pitada de sol na ponta da língua
E vou enfiando nos sulcos da lua
Uma sinfonia de pássaro doido
Língua em lua sem odores
Lua, lua, lua, lua em golfadas
De todos os amores.

Alegorias e maçãs II

A delícia das mãos sobre o caule da tarde
Mexe com todos os suores
Num vai e vem de boca
Mel na tarde derramado em seios
Neste uivo de loba
Orquestração de gritinhos e dores.

Alegorias e maçãs III

Sob a hegemonia de quatro
Vai-se tecendo um rascunho
De entre e sai
Celebração e domínio
Pasta d’água generosa
E uma aceitação sem prosa

Alegorias e maçãs IV

Sob a plenitude da chuva temporã
Abre-se pernas e ativa-se lambidas
E num exercício de planta e rosa
Deposita-se incenso e címbalo
E o balé de corpos em rumorejos atemporais
Faz-se ritual de vinho em tarde de chacais.

Oscar Niemeyer de todos os povos

Um traço no tabuleiro ainda não se pode chamar de pedra
Nem fundamento plástico nascido da movimentação dos dedos
Sei apenas que este dia é de algodão e feixe de acácias
De címbalos pelas calçadas em vida comum de um povo

Mas o mestre da pedra e do fundamento de plástico
Ainda levanta a bandeira da união e da unidade fraterna
Neste tempo onde os cavalos de plantão
Negam a necessidade ainda da foice e do martelo
Nos átrios da esperança

É dia de cantar a festa dos povos unidos
Pois o mestre ainda brinda suas mariposas e seus cinzéis
Para abalar a tristeza da ausência do naco de pão
Do tempo de espiga, do tempo de Dezembro
Do mundo bom, do homem bom e sem desiguais

Um traço no tabuleiro ainda não se pode chamar de pedra
Nem fundamento plástico nascido da movimentação dos dedos
Sei apenas que este dia é de algodão e feixe de acácias
De címbalos pelas calçadas em vida comum de um povo
Na construção da nova aurora nascida do traço na pedra
Na nova internacional que cantará um hino de vitória.

hai-kai para a mulher linda

teu sorriso em lábios de amora
ainda me empolga
quando acordo
como agora.

Entre chuvas serôdias, um beija-flor.

O tempo de domingo é de paz e sussurros
A divindade cultuada em labirintos
E a gênesis bela entre estrelas que ouvem
Não há sol, mas há feixe e esperança de espigas
Neste barro que germina entre dedos e sopros
A entoar uma cantiga desesperada de amor e de saudades.

É assim que a palavra se impõe
Apesar da contrapartida
E do martelo que esmerilha um altar
Da comida que anima
Da água que é pão da vida.

O tempo de domingo é de sussuros
A divindade cultuada em labirintos
E na chuva serôdia, um beija-flor
Que se declara amante
E que leva uma oferenda de estrelas
Entre as pétalas vermelhas da flor.

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