A MEDIAÇÃO Extrajudicial como ferramenta de convivência social



Emerson Araújo


Os conflitos dentro das relações sociais e humanas têm ganhado espaço no bojo da sociedade moderna como “modus vivendi” cotidiano, levando pessoas, grupos, organismos a viverem num clima de tensão social grave entre si, principalmente, entre indivíduos que compõem os pobres/oprimidos da sociedade capitalista.
O capitalismo, como ferramenta de dominação, tem se aproveitado dos conflitos inseridos nas relações entre pessoas, famílias, grupos e organismos que vivem e atuam na esfera da comunidade em que residem trabalhadoras e trabalhadores, oprimidas e oprimidos com sagacidade, apostando na desunião dos pobres e oprimidos, retirando deles a capacidade de se unirem contra o próprio capitalismo ferramenta constante de todos os conflitos.
Diante disso, cabe aos órgãos/pessoas que se preocupam com a convivência de união dos pobres na sociedade não aceitarem/acatarem aquilo que o capitalismo fomenta, ou seja, o conflito entre pessoas, famílias e organismo que estão no âmbito da comunidade, dando uma resposta à altura para que prevaleça a união, a convivência pacífica e que se desloque o foco do conflito para as hostes do capitalismo. Os pobres/oprimidos devem se conflitar contra o capitalismo e suas ferramentas de dominação injusta e opressiva e não entre si. Por isso, o estatuto da “mediação” se faz necessário como instrumento de solução de conflitos temporários, localizados na convivência dos pobre-oprimidos entre si.
A “mediação” de conflitos é mais antiga do que o sistema jurídico. No passado a mediação para a solução dos conflitos era feita por uma pessoa mais velha da comunidade ou do grupo social, um tipo de “conselheiro” que ouvia a todos e a todas com paciência e sabedoria. Este mediador empírico buscava compreender as “partes” e sugeria sempre soluções subtraídas das reclamações. A origem do conflito oferecendo a solução para ele próprio.
Com o advento do sistema jurídico mais tarde a mediação dos conflitos sociais e de interesses pessoais ficou a cargo de um magistrado que começou a decidir por uma das partes enclausurado num sistema de normas, diz-se direitos, que não viria a atender a um dos conflitantes, gerando assim mais conflitos. A figura da mediação/mediador empírico era mais produtiva e atendia a solução mais emergencial dos conflitos. O mediador comunitário conhecia mais a origem dos embates individuais do que o magistrado na sua impessoalidade e no seu sistema de normas sem soluções.
Por fim resgatar a figura da mediação/mediador comunitário deve ser o foco central para a solução dos conflitos das relações sociais da comunidade. Para isso torna-se necessário a criação de um fórum de ” mediação semanal comunitária” , envolvendo profissionais de diversas áreas, ou seja, advogados, psicólogos, educadores, médicos e clérigos que atuarão como equipe multidisciplinar no processo de mediação extrajudicial, amenizando os impasses da convivência social e desafogando o sistema jurídico oficial.
Fica, também, explícito que a operacionalização deste “fórum de mediação comunitária” demanda uma estrutura mínima para o seu funcionamento: uma sala ampla, mesas, cadeiras, microcomputadores, material de expediente, auxiliar administrativo, além do pagamento aos profissionais envolvidos na equipe multidisciplinar. Há de se dá um clima de profissionalização/dedicação exclusiva e seriedade/ética para a execução deste fórum.

(*) Emerson Araújo – Bacharel em Direito, Professor, Especialista em educação profissional , conferencista, escritor



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