Poesia, poesia


Panfleto da manhã dourada

Emerson Araújo

Resista companheira Dilma Rousseff!
Porque o povo pobre dos rincões está com uma rosa branca na lapela para te entregar
Porque os jovens reais do meu país te esperam na porta da frente com os rojões da vitória dos desvalidos sobre o lucro desumano
Queiram os usurpadores ou não, as mulheres ricas dos canalhas ou não
Resista companheira Dilma Rousseff!
Porque a Bulgária pobre  é aqui, o infinito Haiti é aqui
As mulheres negras e pardas do meu país te esperam para cantarem
os solos de ninar de uma manhã dourada sem os eternos fascistas
vendilhões da Pátria amada
Resista companheira Dilma Rousseff!
Porque as meninas de Minas Gerais te admiram como mulher sem adorno, como mulher de cinta escarlate, de címbalo numa noite seca de verão.
Resista companheira Dilma Rousseff!
Porque as mulheres do meu Maranhão e do meu Piauí estão prontas nas soleiras dos seus casebres com uma cuia de água fresca para te ofertarem quando tu passares pelas veredas deste sertão.
Resista companheira Dilma Rousseff!
Porque entre o martelo e a foice de fronte sem nenhum medo
O teu olhar de firmeza será sempre o terror da camarilha do poder pelo poder
Resista companheira Dilma Rousseff!
Porque a nossa manhã dourada se transformará no vinho de safra nova
Aurora carmesim para os que militam
Morte para os covardes!

Carta aberta para Aírton Sampaio de Araújo


Meu dileto, Aírton Sampaio de Araújo,

Bom dia!

Tomei a iniciativa de escrever esta carta(mesmo usando todos os clichês das epístolas) para te desejar saúde e paz diante do quadro de doença que você foi acometido nos últimos dias e que eu acabei sabendo por outros amigos comuns.

Sem muitas delongas, espero que quando você tiver a oportunidade de ler esta carta já esteja gozando de saúde plena para o bem teu, da tua família querida e que possa vencer o diabetes e suas extensões plenamente. Lembre-se, também, corre no meu sangue esta maldição que me tirou alguns prazeres e que vivo em alerta constante contra as traições desta patologia covarde.

Mas, dileto, Aírton, o que me moveu, também, na escritura deste texto cheio de defeitos de linguagem pelo uso dos clichês e repetições de toda ordem foi a necessidade de reconhecer que do ponto do vista ideológico nos afastamos e não quero adentrar nas tuas razões e nem nas minhas para isso. Uma vez te disse que o PT e seus governos, Cuba e os irmãos Castro não nos uniam, mas que a educação e a literatura, sim e continuo com esta convicção apesar das nossas opiniões divergentes na política.

Reconheço que você, meu dileto, Aírton, continua sendo o intelectual mais profundo da minha geração, tanto no fazer educacional como no fazer literário e por isso tem o meu respeito, apesar das nossas diferenças no plano ideológico o que é muito pouco para rupturas eternas entre amigos. Não te pedirei perdão pelos dissabores a toque de uma palavra ou frase aqui e ali mais áspera entre nós nos últimos tempos, porque não se deve colocar na mesa o pedido de perdão sobre convicções. Mas fica o meu respeito intelectual por você naquilo que nos tem unido ao longo de décadas.

Finalizo,  reafirmando o meu desejo pessoal como amigo de querer que você se levante deste leito de hospital com as melhores condições físicas e intelectuais para vencermos, quem sabe, a maldição do diabetes e suas extensões que volta e meia nos surpreende.

Abraços,

Emerson Araújo

Tuntum, 12 de Abril/2016.

Carta aberta a kenard Kruel Fagundes


Meu caro, Urso Hibernador,

Bom dia!


Tenho acompanhado, nos últimos meses,  a tentativa dos vira-latas fascistas de quererem usurpar o poder legitimamente eleito pela maioria do povo brasileiro e entregue mais uma vez a Dilma Rousseff em outubro de 2014. E tive acompanhando, também, o teu silêncio inicial diante das investidas dos golpistas(mídia golpista ou o quarto partido da oposição, poder judiciário venal, partidos corruptos e a classe média que vai aos restaurantes aos domingos), e compreendi este teu afastamento por questões de saúde, justificável do ponto de vista da nossa amizade eterna.

Mas fiquei alegre mais ainda ao ver, nas últimas semanas, teu empenho e tua militância aflorarem magnífica e necessária pelas qualificações intelectuais, pelo belo texto e pelas argumentações sempre pertinentes para desespero destes vira-latas que pululam no nosso amado Piauí, nossa sempre acolhedora Teresina novamente. E você como articulista em favor de uma bela causa tem meu apoio incondicional diante das investidas desta canalha transvertida de intelectualismos de gabinete e outros afins.

Meu caro, Urso Hibernador, devemos lembrar, também, que fomos enxotados  do Partido dos Trabalhadores pelos neopetistas do Piauí por percebermos que a nossa utopia política cairia  nas  tentações do poder como caiu e não imputa sobre mim, você e tantos outros companheiros nenhum peso de consciência pelos desvios ideológicos e morais que estes petistas impuseram a nossa utopia. Mas o momento não é de ladainhas de arrependidos e nem de lamúrias sobre o leite derramado como dizia prontamente meu avô paterno João de Deus Alves, músico dos melhores e antiudenista ferrenho, o momento é de uma causa maior que os vira-latas revanchistas não querem perceber, a luta, digo, a nossa luta agora ultrapassa o PT, Lula, Dilma e a esquerda, é a luta pela manutenção da democracia e da liberdade com "L" maiúsculo, é nela que devemos fincar "pé, mãos, coração e face" mesmo com as debilidades físicas que adquirimos nos nossos exílios particulares: eu, em Tuntum, você em Tutoia onde construiu sua ilha, seus novos sonhos.

Não se preocupe, Velho Urso Hibernador, estamos a postos contra a canalha golpista, contra os vira-latas revanchistas e contra os que querem o ódio destilado nas esquinas da nossa amada pátria brasileira, negra e mulata, crendo no que diz o poeta campesino Pedro Casaldáliga na sua Canção da Foice e do Feixe:

"Creio na Internacional
das frontes alevantadas,
da voz de igual a igual
e das mãos enlaçadas...
E chamo a Ordem de mal,
e ao Progresso de mentira.
Tenho menos paz que ira.
Tenho mais amor que paz."


Conte comigo sempre.

Abraços,

Emerson Araújo

Tuntum(MA), Março/2016

Nortristeresina: UM DOCUMENTO DE OUSADIA DE UMA GERAÇÃO



por Chico Castro *

O CD Nortristeresina lançado no ano passado num clima de festa em Teresina foi o mais importante registro fonográfico surgido no panorama da Música Popular Brasileira de matriz piauiense. Embora encoberto por mais de quatro décadas desde a famosa viagem empreendida por um grupo de jovens a Londrina (PR), em 1974, para uma apresentação na famosa cidade no interior do Paraná, o evento continua vivo na memória coletiva do meio artístico local.

O largo período de temporalidade não empalideceu a importância que o show, agora disponibilizado para o grande público em forma de disco, teve para o que de melhor existe na definição da cultura contemporânea do Estado. Pode-se afirmar que a modernização da cultura piauiense se deu em vista da implantação do Projeto Piauí na primeira gestão do ex-governador Alberto Silva.

SHOW DIGITALIZANDO

A linha de produção do CD ficou sob os auspícios do médico e produtor Viriato Campelo e do também médico e cantor Rubens Lima. Mas, inicialmente, o trabalho remonta ao ano de 2011 quando uma fita K-7 original caiu nas mãos do músico e empresário George Henrique Araújo Mendes que, com o auxílio luxuoso do violonista e compositor Geraldo Brito, pode dar nova amplitude ao show digitalizando-o e dando-lhe nova roupagem sonora e técnica.

Foram igualmente recuperadas fotografias antigas, falas, textos e uma reconstituição possível da época, cujo cenário artístico não perdeu sua verdadeira vitalidade e ilustração, mesmo decorridos um tempo considerável e um longo espaço de fermentação em que todo o avanço cultural decorreu brilhantemente daquele período até os dias atuais.

PROJETO AUTORAL

Ao ouvir as nove músicas de que se compõe o disco, experimentei outra vez o inusitado prazer de estar diante de um documento de ousadia de uma geração que se dispôs a fazer, do que simplesmente possuía, um projeto autoral, num ambiente teresinense do início da década de 70, marcado por shows que tinham como referência os grandes hit’s da MPB e da música internacional.

Em sentido contrário ao senso comum, Menezes y Morais, Pierre Baiano,Laurenice França, Assis Davis, Paulo Batista, Albert Piauhy Piauí, Márcio Thé, Fátima Lima e o casal 20 José Inácio da Costa & Catarina de Sena são personalidades oriundas da mesma fornalha imaginativa e luminosa, não obstante a presença de outras figuras anteriormente emblemáticas como Silizinho e Walter Sampaio, Raimundo Moura e Levi Moura, assim como o conjunto musical Os Milionários, que também tiveram um papel preponderante na música popular piauiense. Se bem que não pode ficar de fora o som alucinante dos Brasinhas e Metralhas, dos Lord’s e The Dândis, dos Fantasmas e de Barbosa Show Bossa, dentre tantos outros grupos que animavam a badalada noite teresinense.

OUVIR E REFLETIR

Nortristeresina é um CD para se ouvir e refletir, pois ele traz à luz do século XXI a fidelidade e o roteiro do show realizado em Londrina há mais de quarenta anos. O referido espetáculo e a destemida viagem abriram um link criativo escancarando um estandarte para as gerações futuras, que só décadas após tomaram conhecimento pela boca dos outros a respeito do poder jovem dos maravilhosos e psicodélicos anos 70.Não custa nada lembrar que o celebérrimo single Space Oddity, do recém-falecido andrógino David Bowie, um selo distintivo da contracultura internacional, alcançou um estrondoso sucesso nas ondas de rádio de todo mundo em 1969!

O que impressiona, depois de tanto tempo, é que a agitação underground feita no Piauí, na música e na poesia, a priori, estava sintonizada com o movimento de igual jaez que se realizava no eixo Rio-São Paulo na aurora dos anos 70, ali praticado por artistas que se tornaram monstros sagrados da cultura brasileira. O disco é uma grande chance para afinar os ouvidos desafinados deste início barulhento de 2016.

Chico Castro, 62 anos, é poeta, professor e historiador.

Crônica da capital federal



Por Emerson Araújo

Voltei a Brasília depois de 21(vinte e um anos), sem falar que no início da década de 70(setenta) do século passado estudei aqui durante um ano e meio sob a tutela financeira do mestre Hiran Silva, meu pai, que me sonhava médico um dia e a solidariedade de Tia Iris Silva e sua família de primos e primas. Mas reconheço que Brasília nunca esteve nos meus planos de domicílio pessoal e vida profissional por isso fiz de tudo pra não me manter neste aglomerado de apartamentos sombrios, de vias largas geométricas e cidades satélites cheias de lama amarelada e que agora entristecem os cenários com os seus zumbis do craque perambulando para um lado e outro de maneira escancarada. 
Mas voltei no tempo certo,  mesmo ficando distante dos podres poderes que germinaram ao longo do seu nascedouro como diriam os velhos cronistas de outrora. E já estou há oito dias desfrutando de um convívio familiar de paz e muitas visitações nesta quimera de Dom Bosco que se fez verdade real dos fatos pelas mãos de Niemeyer, Lúcio Costa e Burle Marx, os três mandarins do Seu Juscelino e de Dona Sarah. Tem sido muito boa esta volta regada a Mônica, a Lorena e chuvas que caem volta e meia sobre a Ceilândia que, temporariamente, tem sido nossa.
Sei que Brasília continua escondendo seus heróis mortos, também, maranhenses, piauienses, cearenses, baianos, goianos, mineiros, brasileiros e brasileiras com seus casacos de moletom repelindo os frios das madrugadas,  na sobrevivência pelo naco de pão caro, de comida cara como se tudo fosse fim de linha, fim de caso, fim de tudo. Brasilienses, candangos distantes das benesses sociais, dos poderes que falaram em esperança e que se desviaram dos objetivos traçados pelos milhões de pobres que depositaram seu olhar na direção do devaneio do velho bispo.
Nem tudo por aqui em BSB é reflexão profunda, digressão ideológica sem sentido mais  porque a família,  que nos hospeda com generosidade,  tem nos ensinado, neste início de 2016, neste janeiro de 2016, que ser generoso é partilhar o pão caro, a cama quente, o carro sempre a disposição  e até mesmo o computador profissional para esgotamento destas frases previsíveis.
Brasília urge. E por ser mais uma cidade do meu país a contar seus crimes, suas crises sociais, vai ficar, quem sabe, na foto eclética de um celular de imagem trêmula ou na memória já falha deste cronista menor mais uma vez.

David Bowie ( +2016)

A farsa de Cunha, jihadista da direita corrupta


Cunha, jihadista da direita corrupta


Por Marcos Augusto Gonçalves/Folha de São Paulo

Vivemos no Brasil um momento no qual a história parece já acontecer como farsa. Um patife entrincheirado no comando da Câmara, em deslavado exercício de gangsterismo político, acata um pedido de abertura de processo de impeachment com o intuito de retaliar o Executivo por não apoiá-lo na pretensão de salvar a pele no Conselho de Ética da Casa –que apesar de nada ou pouco ter de ético inclina-se a reconhecer os fatos clamorosos que se voltam contra o sinistro deputado.

Não é outra a motivação de Eduardo Cunha, cujo interesse pessoal surpreende e adultera a dinâmica política e institucional para lançar um processo de impedimento numa hora em que as condições não se mostravam as mais propícias. Formara-se praticamente um consenso entre analistas (e mesmo entre setores menos estúpidos da classe política) que o "momentum" do impeachment havia se esvaído –ainda que pudesse reapresentar-se mais adiante.

Prevaleceu, portanto, sobre a racionalidade e o tempo do cálculo político estruturado o ímpeto de um homem-bomba. Cunha, o jihadista da direita corrupta, vendo-se encurralado, decidiu explodir o colete. Não esqueçamos que nosso "suicide bomber", embora tenha agido agora como um lobo solitário, foi, durante longos meses, protegido e incentivado por setores da oposição e da imprensa. Como se sabe, o senador Aécio Neves, no afã de ganhar no tapetão o que perdera em casa, uniu-se à escória da política e chegou ao oportunismo notável de votar contra teses de seu partido na tentativa de chegar ao trono por caminhos insensatos. Nessa empreitada irmanou-se - e nivelou-se - a gente do calibre de Paulinho da Força (ou seria da Farsa?). Agora, contudo, mesmo o sinhozinho das Gerais já havia abandonado Cunha e a ideia de impeachment pelo impeachment, em meio a uma tardia e vexaminosa autocrítica de seu partido.

Ninguém na opinião pública deixou de notar que ao aceitar o pedido Cunha agiu como um chantagista entregando sua retaliação. Muitos, porém, trataram de considerar que o impulso torpe não mancharia o processo, que poderá transcorrer, digamos, "normalmente", sem carregar a mácula de seu pecado original.

Devo dizer que discordo dessa avaliação. Não concordo que se possa higienizar a cena do crime dela limpando o vício inaugural.

Mas não é apenas isso que me incomoda: falta ao pedido do sr. Bicudo a identificação convincente de um crime de responsabilidade. As "pedaladas fiscais" de 2015 ainda não foram caracterizadas e mesmo que venham a ser é clara a desproporção entre o suposto delito e a punição que se sugere, como, aliás, já haviam declarado, com todas as letras, o governador Alckmin e o banqueiro Roberto Setúbal.

Antes que as jararacas e os ratinhos acusem-me de ser "desonesto" no argumento, devo registrar que estou entre os que consideram a presidente Dilma Rousseff uma completa incompetente e uma das responsáveis diretas pela ruína econômica e o caos político que se instauram no país. Não imagino que ela desconhecesse esquemas em curso na Petrobras, embora seja forçoso reconhecer que nada se apresentou de palpável contra ela. Por fim, vejo no PT uma fraude decadente de esquerda que aderiu ao mesmo gangsterismo político de alguns setores da direita que outrora pretendeu combater. Cunha e PT são adversários que se medem por suas respectivas réguas.

Nada disso, porém, justifica a aceitação desse processo que traz de seu nascedouro o característico cheiro de enxofre.

Emerson Araújo lança livro, em Teresina, em noite de poesia, música e emoção

O poeta tuntunense Emerson Araújo lançou, na noite desta quarta-feira(08), durante o Café Literário de Julho/2015 na Livraria Anchieta da Avenida Nossa Senhora de Fátima, Bairro São Cristovão, em Teresina, o seu novo livro de poemas Címbalos, Lutas e Olhares  editado pela Quimera Eventos e Editoração com patrocínio do Governo do Estado do Piauí através da antiga FUNDAC  para uma platéia que reuniu intelectuais, professores, autoridades do judiciário teresinense, ex-alunos, autoridades políticas de Tuntum e da capital mafrense, parentes e amigos de longa data do homenageado, tendo como pano de fundo a bela voz de Fernanda Michele e o violão sempre competente do músico piauiense Assis Bezerra.
Criado pelo professor e cronista Wellington Soares, o Café Literário já se tornou um evento consagrado da noite da segunda quarta-feira de cada mês, sempre homenageando um escritor local e outro nacional, na Livraria Anchieta da Avenida Nossa Senhora de Fátima com a presença sempre marcante de intelectuais e artistas de Teresina reunidos para declamar poemas e textos dos homenageados com fundo musical marcado pela presença de um músico local nesta festa de cultura da capital piauiense.
O lançamento de  Címbalos, Lutas e Olhares de Emerson Araújo foi marcado, ainda, pela emoção dos depoimentos e das leituras de alguns poemas que compõem o livro por parte da platéia  presente a este  evento cultural que fez homenagem ao poeta tuntunense numa noite de emoção e clima cultural dos melhores Cafés Literários já realizados nestes três últimos anos.
Segundo Emerson Araújo, o livro  Címbalos, Lutas e Olhares estará  a venda na Livraria Anchieta da Avenida Nossa de Fátima, Bairro São Cristovão, zona leste de Teresina ainda por algumas semanas.