Sábado, Dezembro 5

Entrevista de Airton Sampaio concedida a Herasmo Braga em setembro de 2009


Airton Sampaio de Araújo é contista, novelista, cronista e articulista. Teresinense, publicou, individualmente, "Painel de sombras", contos, 1980, e "Contos da Terra do Sol", 1996, tendo participado de diversas coletâneas, entre as quais se destaca "Vencidos", contos, 1987, ao lado de J. L. Rocha do Nascimento, José Pereira Bezerra e M. de Moura Filho, e "Sob um CéAzultigrino", novela, em Concursos Literários do Piauí, 2005, além de várias premiações. Organizador do livro Geração de 1970 no Piauí: contos antológicos. Formado em Letras (1982) e Direito (1984) pela Universidade Federal do Piauí, é professor-mestre-adjunto no Departamento de Letras da referida Universidade.

"Nasceram-me. Não pequei o suficiente. Não aprendi dançar um tango argentino."
Airton Sampaio

Herasmo Braga - Em que época e quais circunstâncias o encaminharam para a literatura?
Airton Sampaio - Logo na entrada do ensino médio, menino ainda, decidir escrever. Não foi fácil. Escrevia e rasgava, escrevia e rasgava, escrevia e rasgava e achava que não conseguia produzir um só texto por falta de talento, o que desanimava bastante. Só depois vim a ter consciência de que o texto raramente se oferece pronto e que precisa ser construído. Então aquela angústia inicial de escrever e rasgar passou. É claro que Painel de Sombras, meu livrinho de 1980, ainda não pode, a rigor, ser chamado de literatura, mas não o posso renegar porque lá já estão os germes de algumas coisas boas que, acho, eu faria depois. Comigo não teve essa história de li fulano ou sicrano e resolvi escrever, até porque na adolescência o que eu lia muito mesmo eram livretos de faroeste, hqs e seriados de tv, coisas fora do cânone literário. Nesse cânone, o primeiro a me conquistar, ainda que eu não entendesse bulhufas, foi Machado de Assis. Penso que foi a ironia dele a responsável pelo encanto, sei lá...

Herasmo - Como se deu sua aproximidade/proximidade com o conto? E por quê?
Airton - Meu primeiro conto saiu num jornalzinho mimeografado que a gente editou na então Escola Técnica Federal do Piauí, na década de 70. Parece que se chamava A Cova do Anjo e fez um pequeno sucesso ao meu redor, embora eu imagine que o texto fosse bobinho. O mais foi daí pra frente...

Herasmo - Como constitui o seu processo de criação?
Airton - Pode acontecer de repente ou não. Quer dizer, se ocorrer de repente a ideia de um conto é porque ele já vem dentro de mim. Posto no papel, não tem jeito. Há que se burilar o texto que veio de primeira mijada, às vezes até desistir dele. Mas não sofro com isso não. Acho que a escrita é assim mesmo. É praticamente impossível algo em primeira, segunda ou mesmo terceira versão já ficar pronto para publicação. Como diz Umberto Eco, a escrita é um objeto preguiçoso...

Herasmo - Quais autores influenciaram ou influenciam na sua formação de contista?

Airton - Qualquer bom contista me influencia, pertença ou não ao cânone literário. Então, passaria linhas e linhas citando nomes e contos, contos e nomes. Mas no Piauí arrisco citar o M. de Moura Filho, para mim um baita contista.

Herasmo - Como o senhor avalia a tradição brasileira na produção de contos?
Airton - Não sei se é melhor que a poesia, mas sem dúvida é melhor que a romancística e a cronística. O conto é um gênero que deu certo no Brasil, e vocês sabem que praticamente nada dá certo nesse complexo país de elite hiperegoísta e povo supermanipulável.

Herasmo - E dentro da literatura nacional de expressão piauiense, como o senhor avalia a tradição contista?
Airton - O conto é uma manifestação literária que nos acompanha, no Piauí, desde o Romantismo. Tivemos grandes contistas, como Carlos Castelo Branco, com Continhos brasileiros, de 1953. Mas infelizmente a vertente que mais vingou foi a do regionalismo tacanho ou regionalismo de segunda linha, capitaneado por Fontes Ibiapina. Creio, sem querer puxar brasa para nossa sardinha, mas já puxando, que esse modo de contar foi superado pelo Grupo Tarântula da Geração de 1970, que legou um conto mais urbano, mais estetizado e mais moderno.

Herasmo - Ainda dentro da pergunta anterior, quais os aspectos o senhor destacaria desta tradição?
Airton - A tradição é, como já disse, muito regionalista, no sentido menor da palavra.

Herasmo - Harold Bloom sempre levanta a tese que não temos tanto tempo para ler tudo o que seria de extrema importância, portanto uma seleção criteriosa deve ser realizada de forma minuciosa. Ele propõe uma lista canônica das obras de grandes autores imprescindíveis que não podemos morrer sem termos lidos ou mesmo nos considerarmos como escritores com ausência destas leituras. Gostaria de saber, então, qual a sua concepção sobre essas formações canônicas “vitais” e quais seriam as suas obras fundamentais?
Airton - O cânone é importante como uma referência qualitativa, mas é preciso não esquecer que na sua formação não entram critérios exclusivamente estéticos. As escolhas e imposições políticas são uma evidência, tanto que se torna inexplicável, por exemplo, a não inclusão de Da Costa e Silva no cânone parnasianista e simbolista brasileiro, cheio de nomes sem dúvida menores que ele.

Herasmo - Qual seria suas considerações a respeito do novo contexto da literatura nacional? Quem o senhor destacaria e por quê?
Airton - Acho que a internet nos trará boas novas. Mas ainda precisamos esperar para ver. É claro que o livro jamais morrerá, porém é ótimo termos um mídia a ele alternativa, como a internet. Dela virá, se é que já não está vindo, uma literatura digna de nota.

Herasmo - Nesse nosso contexto, percebem-se inúmeras questões em relação à literatura - suas teorias e suas obras. Qual ou quais mais lhe incomodam? Por quê? E quais delas vêm recebendo a sua atenção?
Airton - Nenhuma teoria literária me incomoda. O que me incomoda é o desconhecimento delas e o seu equivocado uso. Por exemplo: certa feita, uma estudante me pediu para que a ajudasse a fazer um trabalho universitário sobre a carnavalização na obra de O. G. Rêgo de Carvalho. Achei impossível aplicar essa formulação de Backthin à obra de O. G. Que carnavalização há na obra de O.G? Só com muita forçação de barra se pode detectar isso. Outro exemplo é um professor como o Luís Romero Lima pôr Fontes Ibiapina como vanguardista. Ora, isso não é uma escolha pessoal: vanguarda tem uma demarcação definitória que não permite esses arroubos impressionistas. Isso incomoda.

Herasmo - Há dentro da teoria e da critica literária novas considerações advindas dos estudos culturais. Será que o senhor concorda que a literatura em seu sentido maior tem sido deixada de lado, principalmente nos aspectos estéticos ao se privilegiar outras questões mais sociais?
Airton - A literatura é basicamente linguagem estetizada, mas não só. Centrar-se apenas na literatura como estética é, a meu ver, o mesmo erro que olhá-la somente como expressão de questões extraliterárias. Sempre digo que literatura é linguagem, linguagem, linguagem e vida e não só linguagem, linguagem, linguagem e linguagem.

Herasmo - Tenho observado que dentro de um mundo mais compacto em que as distâncias temporais e espaciais tornam-se menores, alguns escritores levantam a bandeira do regionalismo literário, entre eles temos Assis Brasil do Rio Grande do Sul que só publica seus textos em editoras do seu estado. Como o senhor avalia este regionalismo? Será que o regionalismo de 30 não fora muito mais de estilo do que geográfico?
Airton - Não consigo ver nenhum regionalismo que não seja tentativa de autoafirmação de um lugar ou de um modo de vida posto em desigualdade, numa relação assimétrica. Se não esquecermos as profundas intenções separatistas dos gaúchos, hoje inconfessadas mas existentes, então... E nas periferias culturais, como o Piauí, o regionalismo também é forte. Ou seja, não há como falar de regionalismo sem considerá-lo uma atitude, em primeiro lugar, política, de quem busca dizer até para si mesmo: eu existo!

Herasmo - Quando o senhor realizou a pesquisa sobre os contistas da década de 70, pensei que colocaria apenas autores que publicaram naquele período, mas temos algumas presenças que só agora começam a ter mais visibilidade com suas publicações. Qual o motivo que fez o senhor ampliar o leque e englobar esses que aparecem no livro e são recentes?
Airton - Porque um autor não se forma de bate-pronto. Ele se forma ao longo dos anos. Foi o caso do Wellington Soares, que não publicou na própria década de 70, mas, sendo formado lá, publicou só muito tempo depois. Com certeza, o Wellington não é um autor da Geração de 2000 só porque publicou a partir daí.

Herasmo - E entre os críticos, quem o senhor apontaria como realidade ou promessa?
Airton - O melhor, sem dúvida, é o Ranieri Ribas, apesar do seu estilo um tanto empolado, que o torna chato e até inacessível. O Wanderson Lima só me desagrada porque é muito sectário, mais até que os piores momentos de minha Geração, que ele acusa, exatamente, de sectarismo. Você, Herasmo, tem todas as condições de ocupar também esse espaço, já que tem formação teórica e sensibilidade para tanto. E deve haver outros, embora não muitos, que agora me fogem à lembrança. De qualquer forma, Ranieri e Wanderson são grandes e incontestes avanços em relação, por exemplo, a Chico Miguel de Moura e Herculano Moraes, nomes máximos, no Piauí, da crítica compadresca. Não cito o Adriano Lobão porque para mim ele é o poeta por excelência do Grupo Amálgama: tem talento e consciência do que faz. Só não gosto quando ele renega seu primeiro livro, um vezo ogerreguiano que só deve ocorrer em situações muito específicas.

Herasmo - Em relação às revistas literárias, como o senhor analisa as possíveis contribuições na formação de leitores e divulgação literária. Quais delas o senhor destacaria?
Airton - A Revista Pulsar, apesar de ser muito fechada, foi uma grande revista. A Amálgama, principalmente em sua versão internética, tem contribuição deveras relevante. As demais, até onde lembro, são oficiais demais: Presença, Cadernos de Teresina, De Repente... Quanto à recepção, enquanto não houver um investimento maciço em divulgação (outdoors em profusão, chamadas televisivas intensas, merchandising forte, etc), não me convencerei de que o autor piauiense não vende. Ou o Paulo Coelho venderia sem todo esse aparato midiático? Publicar hoje é até fácil. Duro mesmo é divulgar a obra e distribuí-la...

Sexta-feira, Dezembro 4

MANIFESTO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DE MARABÁ

A (in) justiça da rapidez

No momento em que Marabá recebe a visita do presidente da mais alta corte de justiça desse país para lançar um “mutirão agrário” que tem como objetivo cumprir liminares que beneficiam fazendeiros e grileiros de terras públicas na região, os movimentos sociais vêm a público dizer:

1 – As causas das ocupações e dos conflitos. Nos três últimos anos ocorreram 67 ocupações na área rural da região, envolvendo 10.600 famílias e 22 ocupações urbanas, só em Marabá, envolvendo cerca de 18 mil famílias. O aumento das ocupações se deve à crescente migração de famílias pobres para a região devido a agressiva propaganda dos governos e das grandes empresas sobre a geração de milhares de empregos na implantação de grandes obras do PAC e de imensos projetos de mineração da VALE. Atraídas pela falsa propaganda do emprego que não está ao alcance dos mais pobres, milhares de famílias ao chegarem à região só tem dois destinos: as ocupações urbanas e os acampamentos rurais. A ausência de políticas publica de habitação e Reforma Agrária, empurra essas famílias para a pobreza, a miséria e a violência. Marabá é a 2ª cidade mais violenta do país. É a região com maior número de assassinatos no campo, registros de ameaça de morte e de vítimas de trabalho escravo. Ao invés de responder ao grave problema social com políticas públicas, o Estado e o Judiciário respondem de modo irresponsável com violência policial. São quase 10 mil famílias urbanas e rurais que poderão ser despejadas e que não terão para onde ir!

2 – A justiça não pode proteger produto de crime. O Estado do Pará é também campeão dos crimes de grilagem e de apropriação ilegal de terras públicas. São mais de 6 mil títulos falsos registrados ilegalmente pelos cartórios, são milhões de hectares em poder dos criminosos. A Comissão Estadual de Combate à grilagem rastreou e comprovou essa situação no Estado e propôs que o Tribunal de Justiça do Pará (TJ) cancelasse, administrativamente, as matrículas objeto do crime. Para a surpresa e indignação de todos nós, o TJ Pará se negou a fazer isso. Só aceita o cancelamento judicial, o que jamais vai ocorrer devido à morosidade da justiça. A comissão recorreu ao Conselho Nacional de Justiça que precisa dar uma resposta urgente a esse crime. Arrecadando essas terras, milhares de famílias poderão ser assentadas, diminuindo assim os conflitos. Mesmo com a posição firme e corajosa da juíza da Vara Agrária de Marabá em ouvir o INCRA e o ITERPA antes de decidir os pedidos de liminares, o TJ Pará insiste em deferir liminares e exigir o despejo de famílias das fazendas do banqueiro Daniel Dantas. São terras já confiscadas pela Justiça Federal por terem sido compradas para lavar dinheiro sujo, são imóveis multados pelo IBAMA em centenas de milhões de reais por crimes ambientais, grande parte são compostas de terras públicas apropriadas ilegalmente ou griladas já comprovado pelo INCRA e ITERPA. Um verdadeiro flagrante de desrespeito aos requisitos da posse agrária e ao cumprimento da função social da propriedade previstos na Constituição Federal. A Justiça não pode rasgar a Constituição e as leis agrárias para proteger os crimes do latifúndio!

3 – O judiciário não pode promover a impunidade. Apenas nas regiões sul e sudeste do Pará, nos últimos 30 anos, são mais de 600 assassinatos de trabalhadores rurais e suas lideranças. Mais de 70% desses crimes sequer tiveram investigação para apurar a responsabilidade das mortes. Os cerca de 30% que resultaram em um processo, marcham para a vala da impunidade. Não há um único mandante preso, cumprindo pena por ter mandado matar trabalhadores rurais na região. A impunidade é uma espécie de licença para matar.

4 - Frente a essa situação exigimos: a suspensão imediata das liminares de despejo nas áreas urbanas e rurais e o assentamento imediato das famílias acampadas; O cancelamento administrativo das matrículas de imóveis frutos de grilagem; Punição para todos os responsáveis por crimes contra os trabalhadores; O fim da criminalização dos Movimentos Sociais e de suas lideranças; Revogação dos mandados de prisão das lideranças do MST perseguidas pela bancada ruralista, pela imprensa e o governo!

Marabá, 04 de dezembro de 2009.

CPT, MST, MAB, CIMI, SDDH, PASTORAIS SOCIAIS DA DIOCESE DE MARABÁ,
CEPASP, FETAGRI REGIONAL, STR DE MARABÁ. Apoio: FÓRUM REGIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO e COORDENAÇÃO DO CAMPUS DA UFPA EM MARABÁ.

Quinta-feira, Dezembro 3

Lançamento


Quarta-feira, Dezembro 2

Os beijos da lua em Tuntum - Maranhão











Imagens de Tuntum - Maranhão








Comentário aberto


Continuo afirmando que a contística de J.L. Rocha do Nascimento é um forte exercício da realidade fantástica, subtraída de mestres como Júlio Cortazar (Argentino), Alejo Carpentier (Cubano), Jorge Luís Borges (Argentino), Murilo Rubião (Mineiro) e Gabriel Garcia Márquez (Colombiano).

No conto Blondie (in confraria tarântula), o que pode parecer uma seqüência de faroeste moderno, é, de fato, o desbravamento dos nossos "oestes" através da prática da metalinguagem, também, e do fantasmagórico que nos adentra em impulsos nervosos.

A mão impaciente sobre o coldre, seqüência antológica no final do conto, é a nossa mão nervosa querendo apertar o gatilho na cara de tantos desafetos diários.

Parabéns, poeta do conto, você é mestre.

Terça-feira, Dezembro 1

Ponto de vista: Equívoco jurídico

A jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal estabelece que todo acusado poderá aguardar em liberdade o julgamento em última instância e, até a sentença definitiva, será considerado inocente. Em tese, a norma previne e evita prisões arbitrárias ou equivocadas. Na prática, configura um monumento à impunidade.

Os vídeos protagonizados pelo governador José Roberto Arruda e seus comparsas, por exemplo, são de tal modo contundentes que a Justiça poderia dispensar mais investigações. As provas dos muitos crimes estão todas lá. Pela legislação brasileira, contudo, continua inocente até o deputado que aparece enfiando pilhas de cédulas nas meias. Se houver castigo, só virá daqui a alguns anos.

O governador e seus amigos bandidos têm chances consideráveis de desfrutarem dos cargos que ocupam por quatro anos. Os tribunais são lentos. O mandato chegará ao fim muito antes da conclusão do processo. É evidente que o STF precisa rever a decisão.

Se toda lei deve ser cumprida, nenhum equívoco jurídico pode ser eternizado.
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El siglo de las luces


Alejo Carpentier (mestre da literatura cubana contemporânea).
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Detrás de él en acongojado diapasón, volvía el Albacea a su recuento de responsos,crucero, ofrendas,vestuario,blandones,bayetas y flores, obituario, y réquiem, sin que la idea de la muerte acabara de hacerse lúgubre a bordo de aquella barca que cruzaba la bahía bajo un tórrido sol de media tarde, cuya luz rebrillaba en todas las olas, encandilando por la espuma y la burbuja, quemante en descubierto, quemante bajo el toldo, metido en los ojos, en los poros, intolerable para las manos que buscabana un descanso en las bordas. Env uelto en sus improvisados lutos que olían a tinta de ayer, el adoslecente miraba la ciudad .....

Mucho les había afectado la muerte del padre, ciertamente. Y sin embargo, cuando se vieron solos, a la luz del día, en el largo comedor de los bodegones embetunados-faisanes, y liebres entre uvas, lampreas con frascos de vino, un pastel tan tostado que daban ganas de hincarle el diente-hubieran podido confesarse que una deleitosa sensación de libertad los emperezaba en torno a una comida encargada al hotel cercano-por no habe rse pensado el mandar gente al mercado. Remigio había traído bandejas cubiertas de paños, bajo los cuales aparecieron pargos almendrados, mazapanes, pichones a la crapaudine, cosas trufadas y confitadas, muy distintas de los potajes y carnes mechadas que componian el ordinario de la mesa. Sofía había bajado de bata, divert ida en probarlo todo, en tanto Esteban renacía al calor de una garnacha que Carlos proclamaba excelente...
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...Si extraño-forastero- se había sentido Esteban al entrar nuevamente en su casa, mas extraño,- mas forastero aún-se sentía ante la mujer harto reina y señora. de esa misma casa donde todo, para su gusto, estaba demasiado bien arr eglado, demasiado limpio, demasiado resguardado contra golpes y daños."Todo huele aquí a irlandés", se dijo Esteban, pidiendo permiso(eso:"pidiendo permiso"), para darse un baño, baño a donde lo acompaño Sofía, por costumbre, quedándose a charlar con él hasta que sólo le faltara quitarse el último calzón."Tanto misterio con lo que yo he visto tantas veces, dijo ella riendo al tirarale un jabón de Castilla por encima de la mampara. Almorzaron solos, luego de que Esteban , dándose una vuelta por la cocina y despensa, hubiese abrazado a Rosaura y Remigio, alborotados y alborozados , iguales a como los dejara:ella en salerosa estampa, él en indefi nida media edad de negro destinado a correr un siglo cabal de vida en los reinos de este mundo.

Segunda-feira, Novembro 30

BLONDIE


J.L. Rocha do Nascimento

DE ONDE VEM
Um ponto no infinito. É o que a objetiva capta quando a cortina se abre. Quando avança lentamente uma imagem trêmula surge no canto. Sob um sol causticante. Um só corpo é o que parece ser. Quando se fecha aí se vê. Não é o que se pode chamar exatamente de marcha lenta. Movem-se por inércia. Não são as patas que removem os grãos é que as impulsionam. Os joelhos já não dobram mais.

PARA ONDE VAI
Eles avançam. No desfiladeiro se deixam arrastar sob o olhar atento de um caramujo do deserto que enterra a cabeça na areia aos primeiros gritos do coiote. Tão descarnados. Tão sedentos. Difícil dizer quem é homem quem é montaria.

QUAL O SEU NOME
Desviada para o lado esquerdo a cabeça baixa pela força gravitacional abandonou o movimento do pêndulo. O chapéu mais ainda. Não impedem que o sol siga abrindo crateras. O charuto no canto da boca o barulho do vento na noite passada apagou.

NINGUÉM JAMAIS SOUBE
Ainda assim ele segue. As rédeas seguram a mão esquerda. Mas não se engane quem vê a outra dormindo sobre o coldre. Está atenta. E formigando.

Vamos. Faça o meu dia.

Paulo Machado